integração

2010 26 abr
editor

Sonho concretizado: Cruzeiro do Sul recebe avião carregado de frutas e verduras do Peru

O Boeing 727-200 da Empresa Rio Linhas Áreas aterrissou no Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul, às 9h30 da manhã dessa segunda-feira (26), trazendo 22 toneladas de frutas e verduras. A partir de agora o vôo será realizado semanalmente.

A chegada do Avião a Cruzeiro do Sul foi muito comemorada por políticos, empresários e outras autoridades que estavam presentes no Aeroporto. A tripulação da Aeronave conversou com a imprensa, segundo o comandante Greco, foram necessários apenas 27 minutos de vôo, para o primeiro passo da concretização do intercambio comercial entre Brasil e Peru, através da Região do Vale do Juruá. Entre as 22 toneladas, estão os seguintes produtos: Tomate, batata, cenoura, beterraba, repolho, abacate, maçâ, uva e alho que estarão á venda nos principais supermercados de Cruzeiro do Sul a partir desta terça-feira.

O presidente da Assembléia Legislativa do Acre, Edvaldo Magalhães, que foi o principal articulador político para que a relação de comércio entre os dois países acontecesse, comemorou a chegada dos produtos e não conseguia conter o entusiasmo. “É uma conquista, onde a aposta e a boa causa, que tem o melhor dos propósitos se sobrepõem a todas as adversidades. A concretização desse vôo é um esforço colegiado das instituições federais que tem responsabilidade com o alfandegamento do aeroporto. Temos que agradecer a Infraero, Receita Federal, Anvisa, Ministério da Agricultura, Polícia Federal e de esforços governamentais como o Governo do Estado que baixou decretos para viabilizar a comercialização, isentando de ICMS esses produtos vindos do Peru, como a Assembléia Legislativa que tem sido a incentivadora principal nesse processo, o apoio do gabinete do senador Tião Viana na relação com as instituições federais e principalmente do empreendedorismo, sem a iniciativa privada fazer negócios, não tinha como viabilizar o vôo”, diz. Edvaldo comenta ainda, que o objetivo a partir de agora é garantir a freqüência dos vôos até a reabertura da BR-364, para assegurar produtos com preços mais acessíveis em Cruzeiro do Sul e região.

Além de Edvaldo Magalhães, estiveram no Aeroporto, o prefeito de Cruzeiro do Sul Vagner Sales, a deputada estadual Antônia Sales, a deputada estadual Idalina Onofre, o superintendente do Ministério da Agricultura no Acre, Jorge Luiz Hessel, o chefe da delegacia da Polícia Federal no município, José Roberto Perez, o superintendente local da Infraero, Osvaldo Dilson e representantes dos demais órgãos aduaneiros. O prefeito Vagner Sales que também é um dos interessados com a relação comercial entre os dois países, considerou o momento importante para a região e para a economia do município, já que a população terá a oportunidade de comprar frutas e verduras com um preço mais acessível, nessa época em que os cruzeirenses ficam isolados via terrestre da capital do Acre e do resto do País.

O presidente da Associação Comercial de Cruzeiro do Sul, Marcos Venícius, diz que o tomate que é um dos produtos mais consumidos, será vendido em torno de R$ 3,99, menos da metade do preço praticado atualmente (entre 9 e 8 reais). “Esse foi um processo muito trabalhado, porque ele funciona como um socorro a população. Nós sabemos que quando a estrada fecha a população não pode consumir esses produtos, nem todo mundo pode pagar R$ 8 reais em um quilo de tomate e a preocupação dos empresários é garantir o abastecimento com um preço, que a população possa pagar”, diz Marcos Venícius.

Negociação com a empresa Aérea

 

A Rio Linhas Aéreas é uma empresa de transporte aéreo de cargas sediada em Curitiba (PR). Recentemente ela ganhou uma licitação e está fazendo o transporte de cargas para o Correio, voando para Porto Velho (RO). Diante dessa possibilidade, políticos e empresários negociaram com a Empresa que aceitou o desafio. Uma vez por semana o Boeing fará um vôo trazendo carga de Porto Velho para Cruzeiro do Sul de onde será estendido o trajeto até Pucalpa no Peru.
O Boeing 727-200 transporta até 24 toneladas nesse trecho. O gerente comercial da empresa, Ricardo Amaral também veio à Cruzeiro do Sul no vôo inaugural. “A Rio em nome do seu presidente Leonardo Cordeiro, parabeniza a integração entre Brasil e Peru e as autoridades, porque isso envolve toda essa operação e a Empresa aceitou esse desafio porque acredita, e também pelos benefícios que traz as pessoas. Estamos felizes por executar essa operação e com sucesso”, comenta o gerente comercial da Rio Linhas Aéreas.
 
Alfandegamento 


O Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul ainda não é alfandegado, esse foi um dos principais desafios para políticos e empresários. No município ainda não estão presentes todos os órgãos que compõem a parte aduaneira, foram necessárias negociações com autoridades políticas e administrativas, de todos os níveis para quebrar esses entraves. Para receber estes vôos internacionais, o Aeroporto está sendo alfandegado provisoriamente, um dia por semana sempre na segunda-feira. Para isso, as instituições que ainda não estão instaladas na cidade, estarão se deslocando para Cruzeiro do Sul, são profissionais para fazer a inspeção e fiscalização dos produtos. Para este primeiro vôo, a Receita Federal enviou uma técnica em administração, um analista tributário e dois auditores. O Ministério da Agricultura disponibilizou um classificador e um fiscal federal agropecuário.

Segundo Osvaldo Dilson superintendente local da Infraero, o terminal de passageiros do Aeroporto, dispõe de espaço para abrigar todos os órgãos com pessoal e imobiliário conforme as normas exigidas. O que o Aeroporto ainda não dispõe é um terminal de cargas, mas para isso, a Infraero vai improvisar uma garagem para servir de forma provisória como terminal. Por enquanto, uma tenda foi improvisada com dois contêiners frigoríficos cedidos pelo empresário Abrão Cândido, sem o qual não seria possível a vinda dos produtos principalmente os perecíveis.  

Um ano de negociações

Exatamente um ano depois da primeira visita da comitiva acreana ao Peru, acontece o primeiro vôo concretizando a integração comercial entre os dois países. O presidente da Assembléia Legislativa, Edvaldo Magalhães, não esquece nessas negociações, um momento que considera um dos mais tristes de sua vida. Em dezembro do ano passado, poucos dias antes do Natal, empresários e o Deputado se concentravam no Aeroporto aguardando a chegada da aeronave que já estava carregada em Pucalpa, informava os contatos com o Peru. Mas no momento de funcionar o avião, faltou no Aeroporto da cidade peruana um equipamento denominado APU (Unidade de Potência Auxiliar) que serve para auxiliar no acionamento das turbinas. Com a falta desse equipamento, o vôo atrasou e venceu o prazo de alfandegamento do Aeroporto de Cruzeiro do Sul. “Aquilo foi frustrante, houve muitas incompreensões depois, mas como pessoas públicas a gente tem que ser cobrado mesmo. As pessoas têm que cobrar, na medida que a sociedade cobra a gente também se anima em se superar, hoje eu estou recuperando aquela alegria perdida em dezembro”, diz aliviado o presidente da Aleac. 
 
www.tribunadojurua.com - Genival Moura

2009 11 dez
editor

Assembleia anuncia voos semanais programados entre Cruzeiro e Pucallpa

Entre os dias 18 e 20 deste mês, cinco voos transportando 25 toneladas de frutas e legumes do Peru vão desembarcar em Cruzeiro do Sul. No ano que vem, entre janeiro e ma rço, estes vôos passarão a ser rotineiros, às sextas-feiras, levando, também, passageiros. O anúncio foi feito na tarde desta segunda-feira, 7, pelo presidente da Aleac, deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB). O deputado deu entrevista coletiva no aeroporto de Cruzeiro do Sul para explicar o objetivo da caravana organizada pela Aleac para acompanhar o encontro em Lima dos presidentes Luis Inácio Lula da Silva e Alan Garcia.

De acordo com Edvaldo, a importação de hortifrutis do Peru é o primeiro resultado concreto do processo de integração do Acre com o Peru iniciado desde o encontro entre Lula e Alan Garcia em Rio Branco, dia 28 de abril passado, com a participação dos ministros mais importantes dos dois países.

Na ocasião, o governador do Departamento de Ucayali, Jorge Portocarrero Velasquez, que não participava da comitiva oficial peruana, sinalizou para a necessidade de uma integração mais ao Norte, com o Vale do Juruá. Em junho, a Aleac organizou uma caravana com mais de 100 pessoas para Pucallpa, a capital de Ucayali. “Lá nós criamos uma agenda, com data e hora para que os negócios se concretizassem  e, em agosto, os peruanos retribuíram a visita participando da Expojuruá em Cruzeiro do Sul, trazendo já 25 toneladas de frutas e legumes”, lembrou Edvaldo.

Os negócios entre o Juruá e Ucayali se diversificaram. Edvaldo anunciou que as empreiteiras que tocam obras na BR 364 vão importar, a partir de janeiro, 80 mil toneladas de seixo e brita do Peru. Os insumos serão transportados de balsa pelos rios Ucayali, Solimões e Juruá, chegando à BR 364 com custo inferior a que atualmente são importados de Letícia, na Colômbia.

A caravana rumo a Lima reúne 22 dos 24 deputados da Aleac, prefeitos de vários municípios e 65 empresários da região do Tarauacá-Envira. Hoje a caravana pernoita em Cruzeiro do Sul e segue amanhã, 8, para Pucallpa pela empresa aérea Star Peru. Às 10 h, de ônibus, ruma para a cidade de Huánuco, onde pernoita para seguir a Lima na quarta-feira.

Boa vontade

Os deputados Edvaldo Magalhães, Perpétua Almeida e Luiz Calixto fizeram questão de dar crédito para o esforço pessoal para o alfandegamento do aeroporto de Cruzeiro do Sul aos funcionários da Receita Federal, Infraero, Polícia Federal, Ministério da Agricultura e Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os parlamentares se recordaram que em Brasília, na semana passada, uma funcionária da Receita Federal começou uma reunião dizendo ser impossível realizar alfandegamento  neste aeroporto. “Parece que está no DNA dos funcionários federais acharem que na região Norte nada é possível”, criticou Perpétua.

Calixto criticou a burocracia, lembrando que é mais fácil importar produtos da China que tomates de Pucallpa. O deputado compara estas ações da Aleac ao papel do caixeiro viajante. “Abre as portas para os empresários que, depois, terão a obrigação de tocar os negócios”, afirmou.

 
João Maurício
Agência Aleac