Jorge Viana

2010 18 abr
editor

Pré-candidatos ao Senado pela FPA visitam interior do Estado

Dizem que numa eleição o importante é o voto na urna e a vitória na contagem final da Justiça Eleitoral. Na sexta-feira, 16, porém, outros elementos passaram a se incorporar na gama de detalhes que fazem de uma jornada política um prenúncio de sucesso capaz de continuar mudando os destinos de um Estado.

Não foi por acaso que os prováveis candidatos da Frente Popular ao Senado Jorge Viana e Edvaldo Magalhães começaram suas andanças ouvindo as lideranças da cidade de Plácido de Castro, herói nacional que lutou pela incorporação do Acre ao Brasil e que empresta seu nome ao município fronteiriço com a Bolívia.

Sob as sombras da floresta e às margens do rio Rapi-rã, cercado pelo imenso rio Abunã, que divide o lado acreano do boliviano, Jorge e Edvaldo deram início a uma jornada denominada por eles mesmos como “reunião para ouvir as lideranças, as pessoas”. O primeiro encontro, ambientado pelo calor da tarde da sexta de abril, foi prestigiado por inúmeras personalidades de Plácido, a cidade emblemática.

Professores, religiosos, sindicalistas, produtores, servidores públicos, empresários e políticos da cidade puderam ouvir e falar sobre o que pensam sobre a disputa eleitoral deste ano e que no Acre, sem dúvida, parece estar revestida de importância singular.

Plácido é a terra que deu origem a Jorge Viana e seus irmãos. Sua avó e sua mãe nasceram na região num tempo em que o sonho Acre ainda era apenas um sonho de revolucionários e sonhadores inconformados. “Aqui nasceu a história da minha vó e da minha mãe. Aqui tem o nome de Plácido de Castro, nosso herói. Tem muito simbolismo. Por isso nossa jornada começa por Plácido”, disse o ex-governador Jorge Viana.

Para o líder que ficou afastado da política, inclusive sem mandato por quatro anos, o Acre não pode errar, pois em 2010 s

e disputa a mais importante eleição da década. Jorge, que lembra que a Frente Popular nunca perdeu uma eleição para o Senado, diz que agora o Estado terá condições de ter, de fato, três senadores. “Queremos ter uma plataforma única. Uma bancada de senadores lutando em favor do Acre. Com uma agenda comum. É só no Senado que o Acre é do tamanho de SP, do RJ e de MG”, explica.

Jorge recordou que o Acre já teve três senadores de um mesmo grupamento político, nos anos 80, mas de triste memória. “Todos lembram que um jogou bomba no jornal do outro. Não trabalhavam em sintonia e o Estado só perdeu com eles’.

O ex-governador ressaltou a possibilidade de ter Edvaldo Magalhães na chapa com ele. “Na eleição de Senador, há oito anos, nós elegemos dois. Um nos abandonou. Agora, nós temos aqui o Edvaldo, que foi meu líder por oito anos e mostrou toda sua lealdade com a Frente Popular.”


Acrelândia, unidade na adversidade

A visita de Jorge Viana e Edvaldo Magalhães se estendeu à cidade de Acrelândia, a primeira do Estado por quem entra pela BR-364, vindo de Rondônia. Nesse município, que tem forte presença de imigrantes do Sul e do Centro-Oeste, um fato chamou a atenção: a unidade política em defesa da Frente Popular. Mesmo com os problemas locais que se verificam no dia a dia.

Uma declaração de Tiago de Melo, atribuída a Armando Nogueira (Nossas diferenças não podem se transformar em divergências) e contada por Jorge Viana na reunião, contribuiu com o clima de unidade no município. Em depoimento, o ex-prefeito Vilseu Ferreira, que está fora do cargo por decisão da Justiça Eleitoral (o prefeito atual é Carlinhos, do PSB), declarou seu apoio à provável chapa majoritária da FP, Tião-Jorge-Edvaldo. “Vou continuar na Frente Popular e meu apoio será ao Tião Viana, ao Jorge e a Edvaldo”, disse.

Como em Plácido, as lideranças de Acrelândia puderam falar e expressaram seu apoio a Jorge e Edvaldo com palavras de incentivo incomum para um começo de jornada eleitoral. “Isso anima a gente. Saio daqui completamente entusiasmado para uma batalha que está só começando”, disse Edvaldo Magalhães.


Consciente de que uma candidatura ao Senado não pode ter como sustentáculo a vontade pessoal ou do seu partido apenas, Edvaldo afirmou, ainda em Plácido, e repetiu em Acrelândia, que se for candidato e eleito senador saberá honrar o compromisso. “Não serei um senador do PCdoB ou da Frente Popular. Serei um senador do Acre.”

Edvaldo declarou que nunca tinha pensado na vida em ser candidato ao Senado. E que um dia Jorge

Viana chegou e pediu para ele “começar a pensar no assunto”, pois o Acre precisava de um candidato com “credibilidade, capaz politicamente e leal aos interesses do Estado”.

Jorge Viana reforçou o apoio a Edvaldo: “Edvaldo tem o fermento da política, que é a lealdade com os compromissos. Ele vai dar orgulho no Senado, e o povo do Acre não pode escolher errado, senão só daqui a oito anos vamos ter nova oportunidade como essa”, ressaltou.

Jorge disse ainda que os dois prováveis adversários dele e de Edvaldo ao Senado - Petecão e Geraldinho - vão ter que encarar o povo, pois foram eleitos por uma coligação e depois a abandonaram. “Um [Geraldinho] nós ajudamos a eleger ao Senado. Até o presidente Lula veio aqui pedir votos para ele. Ficou 40 dias pedindo votos para ele. O outro [Petecão], esse besta aqui [apontando para si mesmo] e aquele besta ali [apontando para Edvaldo] ajudamos a eleger quatro vezes presidente da Aleac. Depois ajudamos a eleger deputado federal. Depois foi embora. Não tem problema. Eles que acertem as contas com a população. Eu prefiro ser enganado a enganar alguém”, afirmou.



Greve e aplausos


Ao término da reunião em Acrelândia, já à noite, dezenas de servidores da Educação municipal esperavam por Jorge e Edvaldo do lado de fora. Quando os trabalhadores viram a provável dupla ao Senado da Frente Popular, o movimento se transformou em cordialidade e aplausos, o que deixou a todos que estavam nas proximidades completamente com cara de espanto.
É o prenúncio, quem sabe, de uma jornada vitoriosa em favor do Acre.

Fonte: Pagina 20

2010 28 mar
editor

Político, sem temor

Jorge Viana


Não desejo expor aos leitores uma questão política paroquial, destas que, seja no Acre ou no Rio de Janeiro, acontecem mais para apequenar que para aperfeiçoar a democracia brasileira.

Mas preciso citar um imbróglio político judicial no qual me vi envolvido, pela clareza com que ilustra a absurda criminalização da atividade política neste momento em que o Brasil vai se afirmando como uma referência de democracia em países até há pouco classificados como Terceiro Mundo.

Fui entrevistado em um programa de TV muito assistido em Rio Branco, Acre. Entre coisas, respondi sobre política e eleições. Afirmei que estou me desligando das atividades empresariais que exerço para permitir ao PT incluir meu nome no debate das pré-candidaturas ao Senado pelo Acre.Foi o suficiente para um membro do Ministério Público Federal me denunciar por campanha eleitoral extemporânea.

O mais estranho é que gente de todos os partidos adversários do PT já havia passado no mesmo programa, inclusive anunciado candidaturas decididas.

Mas foi somente para mim que sobrou a tentativa de incriminação.Felizmente, a justiça se fez rápido pelo juiz federal que me inocentou do suposto crime político.

Vivi experiência mais dura em 2002.

Um TRE impregnado de interesses me cassou a candidatura à reeleição ao governo do Acre. Sempre confiei na Justiça, o TSE me garantiu o direito e o povo me reelegeu no primeiro turno.

O ponto aonde quero chegar com a citação desse caso é que, não bastante a judicialização da política, que sob o beneplácito do Congresso Nacional, que não fez a reforma política, transfere prerrogativas do Parlamento para os tribunais, agrava-se perigosamente a criminalização da política.

Preocupa que o equívoco antes restrito ao discurso fácil e falso moralista de que o exercício da política seria reservado a picaretas e bandidos comece a repercutir em representações judiciais de Estado, que são vésperas de sentenças. Isto é a criminalização da política sob nova forma, já que sua essência é antiga. Esse mesmo falso moralismo pavimentou a ascensão do nazismo de Hitler e também a insustentável consagração eleitoral de Collor no Brasil de 1989. Isso só para ficarem dois dos exemplos clássicos, um estrangeiro, outro daqui.

Claro que a corrupção explícita tanto no governo Collor quanto no antecessor que lhe serviu o discurso merece o rigor da lei, da Justiça e da polícia. Isso também vale para as recentes revelações de ligação de grupos políticos com fortunas camufladas em paraísos fiscais, mensalões e sujeiras do tipo. No entanto, nada legitima a condenação antecipada de quem decide exercer a política, senão o despreparo e o descompromisso com a democracia.

As instituições constituídas para zelar pela democracia, o que inclui ministérios públicos e tribunais eleitorais, devem incentivar a participação político partidária, porque sem isso não há democracia, cidadania nem liberdade a zelar. Por isso é inaceitável a profusão de denúncias de motivação eleitoral contra o próprio presidente da República, que soa como uma intimidação geral à participação política dos brasileiros.

Lula tem estatura e grandeza para acreditar na Justiça e saber buscá-la.

Ele enfrentou até a odiosa Lei de Segurança Nacional da ditadura militar, e será melhor para o país se o seu exemplo for bastante para neutralizar na consciência dos cidadãos o ranço intimidatório da criminalização da política.

Também positivo é que o povo, sempre mais sábio, justamente agora sinaliza com sentimento inverso ao preconceito político. Os fatos mostram que o brasileiro está cada vez mais interessado em participar dos processos políticos e eleitorais. Indicativo interessante é o crescimento da candidatura presidencial de Dilma Rousseff nos meses de janeiro e fevereiro, contrariando até a regra clássica de que nada acontece na política brasileira antes do carnaval.

Política é um direito do cidadão que, no sentido mais solidário da cidadania, se transforma mesmo em um dever.

Não existe sociedade sem regras, não existe justiça se as regras não forem democráticas e não existe democracia sem o exercício da política. Por acreditar nisso não tenho medo de ser político. E se tenho uma pretensão, é contribuir para mostrar à sociedade que nem todo político calça quarenta.
   
•    Artigo publicado originalmente no Jornal O Globo.

2010 10 mar
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2009 15 nov
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2009 27 out
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