Os dados do Ibope divulgados neste sábado (5) fecham a bateria das pesquisas pré-campanha eleitoral apontando um empate: Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) aparecem com 37% cravados – por coincidência, o mesmíssimo número apurado 10 dias antes pelo Datafolha. Porém um pente-fino no conjunto das pesquisas, e na do próprio Ibope, mostra que os dois não estão tão empatados assim. Há uma favorita.

Por Bernardo Joffily

Observe o gráfico acima. Ele mostra a intenção de voto nos dois candidatos presidenciais favoritos, conforme as 18 últimas pesquisas estimuladas dos quatro principais institutos (Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi). Os dados estão organizados conforme a barra do tempo, abaixo, a contar do primeiro dia em que foram coletados (algumas pesquisas coletaram entrevistas durante até cinco dias, outras em apenas dois), para mostrar como evoluiram no tempo.

O olhar de um politicólogo islandês

Não se preocupe muito com os números e os nomes dos institutos (no pé deste artigo o internauta mais minucioso achará uma tabela com todos eles). Mas retenha a tendência geral.

Imagine agora um politicólogo, digamos, islandês, ou listenstainiano, que ao passar as férias no Brasil se depare com estes dados. Que previsão ele poderia fazer sobre o resultado de 3 de outubro?

Pesquisas vêm e vão. A campanha propriamente dita só terá início em 6 de julho, com o início oficial, e em 17 de agosto, com o programa eleitoral na TV, este grande palanque eletrônico que será o principal ponto de contato de milhões de eleitores com as candidaturas, os candidatos e suas plataformas. Esta eleição se anuncia altamente disputada. A ala midiática do bloco oposicionista ainda pode aprontar poucas e boas nos quase quatro meses até a eleição – basta ver o denodado esforço que está sendo feito com o dossiê que não existe.

Visto isso, o gráfico mostra uma tendência estável. As discrepâncias são relativamente pequenas – as notas mais dissonantes, dadas pelo Datafolha em março-abril, não chegam a turvar o quadro de conjunto.

Estadão chega a outra conclusão

O jornalista José Roberto de Toledo, do Estado de S. Paulo, chegou a um gráfico diferente e a uma conclusão oposta manuseando os mesmos dados. Para ele, até 14 de maio, "o que o tucano perdia, a petista ganhava" e " gráfico desenhou um alicate. Mas desde que as hastes da ferramenta se encontraram não houve sinais de que a pré-candidata do PT tenha continuado cooptando eleitores do rival do PSDB" (veja mais).

O que me parece ser um erro de método cometido por Toledo é usar a média móvel semanal das pesquisas, e não a curva de cada instituto, como fiz no gráfico acima. A média móvel engana porque a curva de um instituto se embaralha com a do outro. Concretamente, a "estabilidade" nas duas últimas semanas deve-se ao fato de só terem ocorrido duas pesquisas (Datafolha e Ibope), ambas mostrando 37% a 37%. Mas isso oculta outro fato: que no Datafolha Dilma cobriu uma distância de 12 pontos sobre seu concorrente, e no Ibope de oito pontos.

Vista no conjunto, o que indica a sequência de pesquisas encerrada pelo Ibope? Dilma Rousseff, a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é a favorita nesta eleição. O tucano José Serra, do bloco demotucanomidiático é o mais provável perdedor. E a senadora Marina Silva (PV), que ao longo do ano se manteve estável, numa média um pouco abaixo dos 10%, pode forçar um segundo turno entre os dois primeiros, ainda que a maior probabilidade, pelos dados atuais, seja de decisão no primeiro turno.

Para além dos 37% a 37%, a própria pesquisa Ibope traz dados que confirmam o favoritismo de Dilma. Vejamos alguns.

Voto espontâneo: 19% a 15%

Na pesquisa espontânea (em que o entrevistador não apresenta uma lista prefixada de alternativas), Dilma tem 19%, quatro pontos acima do resultado de abril, e Serra 15%, um ponto a mais.

O voto espontâneo em Dilma se concentra no eleitorado masculino (24%), nas faixas de 25 a 29 anos de idade (23%) e de escolaridade superior (21%). Serra tem mais votos espontâneos nas faixas de mais de 50 anos (19%), ensino superior (25%) e mais de cinco salários mínimos de renda (27%).

Porém 12% dos entrevistados responderam ao Ibope que votam em Lula, número que em abril chegava a 16%. É razoável supor que estes quatro pontos correspondem, grosso modo, aos que Dilma conquistou entre as duas rodadas do Ibope. E faz sentido prever que os 12% restantes terão o mesmo destino. Serra, na melhor das hipóteses (embora haja controvérsias), herdaria os votos espontâneos no também tucano Aécio, que somam 2%.

Voto feminino

Na pesquisa indusida um fato chama a atenção: Dilma ganha de Serra por 41% a 35% no eleitorado masculino, e perde por 33% a 38% no feminino.

O Ibope apurou, porém, que a eleição desperta "pouco" ou "nenhum interesse" em 43% dos homens e 50% das mulheres, refletindo a opressão política de gênero existente na sociedade. Mesmo desprezando-se o apelo de uma linha de campanha do tipo "mulher vota em mulher", é de se sipor que o eleitorado feminino, ao decidir seu voto, siga critérios assemelhados ao da metade masculina.

Outros dados da pesquisa que permitem um raciocínio similar: Dilma vence Serra nas capitais, por 35% a 31%, enquanto perde na periferia (34% a 37%) e no interior (38% a 39%). Ela supera o tucano nas cidades com mais de 100 mil habitantes (36% a 33%), mas fica atrás nas de 20 mil a 100 mil (36% a 43%).

O voto dos pobres

Quanto às regiões, a petista sai à frente no Nordeste, Norte e Centro-Oeste, e o tucano no Sudeste e Sul. Na segmentação por renda familiar, também previsivelmente, os dois candidatos descrevem trajetórias opostas. Na faixa com até um salário mínimo, Dilma vence Serra por 43% a 32%. Na de mais de cinco mínimos, é o tucano que triunfa, por 42% a 33%.

Aqui se esconde outra reserva de crescimento de Dilma, tal como no caso das mulheres. Segundo o Ibope, na faixa mais pobre 52% dos eleitores mostra "pouco" ou "nenhum interesse" pela eleição, contra apenas 36% na mais rica. Esses eleitores hoje desinteressados, quando definirem o seu voto, tendem a fazê-lo na mesma direçâo de ses iguais, o que favorece Dilma.

Rejeição e previsões

A presidenciável petista também está melhor situada quando o Ibope pergunta ao eleitor em quem o eleitor "não votaria de jeito nenhum". A rejeição de Serra é de 24%, chegando a 30% no Nordeste. A de Dilma fica em 19%, subindo para 34% na faixa de maior renda. Em abril, ocorria o inverso: a petista era mais rejeitada, com 34%, contra 32% de Serra).

O Ibope indagou, "independente de seu voto", que o eleitor acha que será o presidente. Dilma ficou cinco pontos acima de Serra (40% a 35%), fora da margem de erro, de dois pontos para cima ou para baixo. Entre os mais pobres, a diferença chegou a 11 pontos (41% a 30%). Na faixa de maior renda, houve empate técnico com vantagem para Serra (45% a 43%).

Os fãs de Lula

O maior potencial de crescimento da candidata de Lula está entre os eleitores que aprovam o atual governo (75%) e o modo do presidente governar (86%).

Dilma abre uma vantagem de 12% sobre Serra entre os que acham o governo "bom" ou "ótimo". Na faixa do "ótimo", chega a 60%. Mas mesmo aí Serra ainda fica com 24%. Na faixa que acha o governo "bom", há empate, com 37% apoiando Serra 3 36% Dilma...

A pergunta é como estes percentuais vão evoluir, na medida em que a campanha e o programa eleitoral deixarem evidente quem está do lado do governo e quem na oposição. A próxima bateria de pesquisas o dirá.

Veja aqui o relatório completo da pesquisa Ibope (em pdf).

 

Fonte: Vermelho

08 de junho de 2010

Em quadro que configura empate técnico, pré-candidata de Lula ultrapassa o tucano José Serra na pesquisa Vox Populi feita na semana em que foi ao ar o programa do PT. Ela lidera também na sondagem espontânea

* Denise Rothenburg e Alana Rizzo

Pela primeira vez, uma pesquisa eleitoral apresentou a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, à frente do ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB). Na consulta feita pelo instituto Vox Populi, ela aparece com 38% contra 35% do pré-candidato tucano num cenário de três concorrentes. Marina Silva (PV) obteve 8%. Se considerada a margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, Dilma está no intervalo entre 35,8% e 40,2%, e Serra, entre 32,8% e 37,2%. Ou seja, há um empate técnico entre os dois que estão na dianteira. Num segundo turno entre Dilma e Serra, o empate técnico se mantém: a petista tem 40% e Serra, 38%, dentro da margem de erro.

Considerando os resultados da pesquisa (1)Vox de janeiro, Dilma cresceu nove pontos enquanto Serra caiu três. Marina se manteve no mesmo patamar. Num cenário com os candidatos de partidos menores, como o PSol de Plínio Arruda Sampaio, a diferença entre Serra e Dilma também é de três pontos: 37% para a petista e 34% para o tucano (leia quadro nesta página).

O diretor do instituto Vox Populi, o cientista político Marcos Coimbra, atribuiu o crescimento de Dilma ao tempo de exposição na TV que a candidata do PT recebeu este mês e não à saída de Ciro Gomes (PSB) da disputa. A distribuição dos votos de Ciro está equilibrada entre os dois. Existe uma grande relação entre o nível de conhecimento e a intenção de voto. O que tende a ter influência são os comerciais de 30 segundos, e ainda houve o programa de 10 minutos na quinta-feira, afirmou Coimbra, se referindo ao período em que a pesquisa foi a campo, de 8 a 13 de maio em 117 cidades nas cinco regiões do país. Os estados que não tiveram pesquisadores do Vox foram Amapá, Roraima e Acre, terra de Marina Silva.

Ligação
Na pesquisa espontânea, aquela em que o eleitor diz em quem votará sem que o entrevistador lhe apresente um leque de opções, Dilma ultrapassou Lula. Ela aparece em primeiro, com 19%, Serra em segundo, com 15%, e Lula em terceiro, com 10%. Em janeiro, Lula tinha 19%, Serra e Dilma tinham 9% cada um. Essa passagem na espontânea vem ocorrendo aos poucos. Quem quer votar no Lula e fica sabendo que ele tem uma candidata, vota nela. Isso faz a evolução dela muito mais provável do que a de José Serra, avalia Coimbra.

A pesquisa mostra que 74% dos entrevistados sabem ou ouviram dizer que Dilma é a candidata que tem o apoio do presidente Lula. Só 4% acham que Serra tem o apoio de Lula e 1% considera que Lula apoia Marina. Hoje, 33% dizem que votariam com certeza num candidato apoiado pelo presidente Lula e 30% dizem que poderiam votar, dependendo do candidato. Apenas 10% não votariam num nome apoiado por Lula e 24% não levariam isso em conta. Se considerado o corte desse cenário de transferência por regiões do país, o Nordeste é onde o poder de Lula (2)é mais forte, com 51% dos entrevistados dispostos a votar com certeza num nome apoiado pelo presidente. O mais baixo é no Sul, 20%. Quanto ao apoio de Lula para governos estaduais, a transferência é menor: 22% votariam com certeza num candidato apoiado por ele.

A amostra indica ainda que Dilma cresceu em todas as regiões do país. No Centro-Oeste, passou de 25% em janeiro para 34% nessa última pesquisa. No Nordeste, de 38% para 45%. No Norte, de 26% para 41%. No Sudeste, passou de 22% para 36% e, no Sul, de 24% para 30%. Serra cresceu três pontos no Nordeste, de 27% para 30% e no Sul, de 39% para 45%, sua melhor performance. No Norte, oscilou de 31% para 32%. No Centro-Oeste, caiu de 36% para 33%, no Sudeste, de 36% para 35%.

Fôlego
Coimbra atribuiu o novo fôlego de Dilma no Sudeste a Minas Gerais. Havia tal vontade de votar em Aécio (o ex-governador de Minas, Aécio Neves) que isso inibiu o crescimento de Dilma durante algum tempo. Agora que ele não é mais candidato, ela cresceu, explicou. Segundo Coimbra, Lula tem uma alta popularidade em Minas, a maior fora do Nordeste. Por isso, é natural que a candidata do presidente cresça em intenção de voto entre os mineiros. Isso estava inibido pela candidatura de Aécio. Agora que ele não é mais candidato, muitos em Minas passaram a pensar em Dilma, já que não podem mais votar no Aécio, diz Coimbra.

Serra mantém a liderança entre quem recebe acima de 10 salários mínimos, 41% a 29% para Dilma e 11% para Marina, a melhor marca da candidata do PV. Serra lidera ainda entre os eleitores de nível superior, 39% a 35%. Dilma vai melhor entre os que recebem um salário mínimo, 43% a 31%, e entre os eleitores com ensino médio, 39%. Contra 32% de Serra e 9% de Marina). Dilma melhorou sua performance entre as mulheres. Aparece com 34% e Serra 35%. Entre os homens, ela tem 42% e o tucano 34%.

A maioria dos eleitores, 47%, deseja mudar algumas políticas do governo Lula e continuar com a maioria delas, enquanto 34% preferem a continuidade de todas as políticas do atual governo. Apenas 13% querem mudança na maioria das políticas e 5% propõem mudar tudo. A rejeição dos candidatos (leia quadro nesta página) não é vista pelo cientista político como algo que deva preocupá-los. Serra tem uma biografia respeitada, Dilma é a candidata de um presidente que todo mundo gosta e Marina é ambientalista e menos conhecida, diz ele.


1 - 117 municípios
A pesquisa Vox Populi, realizada entre 8 e 13 maio, ouviu 2 mil pessoas nas cinco regiões do país. As entrevistas foram realizadas em 117 municípios. O número do registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é 11.266/2010.


2 - Presidente em alta
A avaliação positiva do governo federal cresceu 2 pontos percentuais. Em janeiro, 74% dos entrevistados avaliaram como bom ou ótimo o desempenho do presidente Lula à frente do governo. Agora, o índice é de 76%. Dentro da avaliação positiva, 31% dos entrevistados definem o governo como ótimo e 45%, como bom.
•    Matéria Publicada no Correio Brasiliense

16 de maio de 2010

Por Luís Nassif
 
Começo de campanha é um Deus nos acuda para qualquer um. As duas campanhas estão dando cabeçadas. Mas, à medida que se selecionam e se divulgam cabeçadas só de um lado (Dilma), passa-se a impressão que o outro lado (Serra) tem uma campanha impecável. Até meu amigo Ricardo Kotscho ficou com essa impressão.

O episódio é interessante para demonstrar o poder de influência da cobertura da mídia, quando seleciona os fatos para divulgar. O relatório encaminhado abaixo, pelo leitor, é prova cabal disso.

Suponha que o aparato da mídia tivesse dado ênfase aos fatos abaixo relacionados – e se calado ante os desajustes na campanha de Dilma. A impressão que ficaria é a campanha de Serra desarticulada e a de Dilma impecável. Quando ambas estão dando suas cabeçadas normais nas largadas.De Leitor

Ele disse que ia criar a Defesa Civil Nacional e teve de esquecer o assunto, porque ela já existe.

Ele disse que ia acabar com o Mercosul e teve de dar uma entrevista à Folha, para dizer que não era bem assim, depois de ser criticado dentro e fora do país.

Ele disse que vai resolver o problema da segurança criando um Ministério, e uma semana depois explodiu o aumento recorde da criminalidade em São Paulo, obra dele.

Ele misturou religião com antitabagismo e ficou mal com ateus e fumantes.

O chefe da campanha dele foi apanhado registrando sites de baixaria na internet.

O deputado amigo dele foi apanhado falsificando um depoimento da Marília Gabriela.

Ele corre atrás de todas as agendas dela. Pediu pra ir à Fiemg, pediu pra ser convidado no aniversário da Conceição, pediu pra ir outra vez ao Datena.

Ela foi aplaudida de pé na festa da Conceição. Ele foi ignorado.

No Primeiro de Maio, ele teve de se refugiar em Camboriú, porque nenhuma central sindical queria tê-lo no palanque.

Ele posou ao lado de um governador investigado pela Polícia Federal. E disse que não está informado sobre o inquérito…

A turma dele acusa estatais de pagar palanques do Primeiro de Maio, mas o governador suspeito pagou a festa de Camboriú.

Ele ainda não apareceu no Rio à luz do dia (só de noite, na festa da Conceição), porque não tem palanque pra subir.

Nem ao Rio Grande do Sul, pra não aparecer com a governadora.

Não tem palanque em Pernambuco, terra do presidente do partido dele.

Não tem no Ceará, terra do mais importante senador do partido dele.

Ele espalha que tem o apoio do PTB e do PP, mas ninguém viu a cor desse apoio.

O único partido que se decidiu, de março pra cá, foi o PSB. Pela adversária dele.

Os dois partidos de sua aliança, DEM e PPS, naufragaram no escândalo de Brasília.

Ele não fez uma só agenda com mulheres, artistas, caminhoneiros, movimentos, gente comum. Só com empresários e aliados.Os dois institutos que lhe dão vantagem nas pesquisas estão sob suspeita de manipulação de amostras.

Ele foge do Fernando Henrique como o diabo da cruz.

Mas foi o primeirão a dar os parabéns ao Lula pela lista da Time.

Realmente, uma das campanhas teve muitos problemas na largada…

07 de maio de 2010

Marcos Coimbra

O assunto do momento, nas discussões sobre as próximas eleições presidenciais, é o voto feminino. Mais exatamente, as diferenças que existem entre as intenções de voto de mulheres e homens, constatadas pelas últimas pesquisas.

Em todas, verifica-se que Dilma e Marina se saem pior que Serra e Ciro no voto feminino. Quando Ciro é retirado, isso não muda: Serra continua a ter mais intenções de voto das eleitoras que qualquer candidata (na verdade, mais que as duas somadas).

Em relação a Dilma, o ex-governador mantém uma dianteira relativamente grande nessa parcela do eleitorado. Na mais recente pesquisa do Ibope, por exemplo, os dois estão empatados entre os homens, ele com 35% e ela com 33%. O que quer dizer que a vantagem de 7 pontos percentuais que Serra tem, nessa pesquisa, no universo do eleitorado, deriva das intenções de voto das mulheres. Considerando-as apenas, Serra fica com 37% e Dilma 26%.

Há quem olhe esses números e tire conclusões sobre nossa sociedade e nosso sistema político. Para alguns, as dificuldades atuais de Dilma apenas repetiriam algo que Lula enfrentou no passado, pois ele, nas eleições que disputou, sempre tinha mais votos entre homens. Este ano, por razões pouco claras, o que seria uma resistência atávica das mulheres contra o PT estaria se manifestando de novo, apesar da candidatura ser encabeçada por uma mulher.

Outros vão além e especulam sobre um machismo renitente em nossa cultura, que sobreviveria apesar do endosso majoritário que a tese da igualdade tem nas verbalizações das pessoas. Embora quase todos proclamem que não veem diferenças entre os gêneros na capacidade para exercer a Presidência, as próprias mulheres descreriam mais que os homens dessa possibilidade. Confrontadas com uma candidatura feminina real, refugariam. Em outras palavras, mulher não vota em mulher, ou, melhor dizendo, muitas não.

Não esqueçamos os que dizem que o problema estaria em Dilma, que, por suas características de personalidade e estilo, não se conformaria com um determinado estereótipo feminino e alienaria o voto de muitas mulheres. São os que acham que ela precisaria ser mais isso ou aquilo para conquistar seu voto, que ela é “mandona” demais, “firme” demais e coisas parecidas.

E se nada disso procedesse? E se as diferenças de desempenho de Dilma entre homens e mulheres nada tivessem a ver com atavismos anti-PT, machismos paradoxais ou o jeito de ser da candidata? E se a explicação fosse outra?

Em uma eleição como a que estamos fazendo, em que o nível de conhecimento dos candidatos é um fator crucial para explicar sua performance nas pesquisas, pode estar aí a razão das diferenças de gênero que se constatam atualmente. São as diferenças de informação entre homens e mulheres que, ao que tudo indica, explicam as variações nas intenções de voto.

Na última pesquisa da Vox Populi, 77% dos homens entrevistados acertaram o nome de quem Lula apoia, contra 64% das mulheres. 70% dos homens que disseram conhecê-la mostraram ter alguma informação efetiva, enquanto apenas 55% das mulheres conseguiram fazê-lo. Entre as mulheres de renda mais baixa, os resultados foram, naturalmente, muito inferiores.

Mas o mais relevante é que, quando se consideram homens e mulheres com informação semelhante, as diferenças nas intenções de voto quase desaparecem. Entre os homens que sabem quem Lula apóia, 47% votam em Dilma e 34% em Serra (na lista sem Ciro Gomes). Entre mulheres, 42% nela e 33% nele. E Dilma se sai pior entre as mulheres porque Marina sobe, indo de 5%, entre homens, a 8% entre as eleitoras mais bem informadas. Parece que mulher, nesse caso, vota sim em mulher.

O mesmo acontece com quem não tem informação: entre os homens que não sabem quem Lula apóia, Serra tem 52% e Dilma, 7%; entre mulheres, Serra 48% e Dilma, 6%.

As pesquisas atuais refletem a distribuição desigual da informação entre os gêneros, que deriva, por sua vez, dos papéis sociais diferentes que homens e mulheres desempenham. O próprio andamento das campanhas vai reduzi-la. Até outubro, homens e mulheres serão, cada vez mais, iguais na sua capacidade de escolher em quem votar.

28 de abril de 2010

O Boeing 727-200 da Empresa Rio Linhas Áreas aterrissou no Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul, às 9h30 da manhã dessa segunda-feira (26), trazendo 22 toneladas de frutas e verduras. A partir de agora o vôo será realizado semanalmente.

A chegada do Avião a Cruzeiro do Sul foi muito comemorada por políticos, empresários e outras autoridades que estavam presentes no Aeroporto. A tripulação da Aeronave conversou com a imprensa, segundo o comandante Greco, foram necessários apenas 27 minutos de vôo, para o primeiro passo da concretização do intercambio comercial entre Brasil e Peru, através da Região do Vale do Juruá. Entre as 22 toneladas, estão os seguintes produtos: Tomate, batata, cenoura, beterraba, repolho, abacate, maçâ, uva e alho que estarão á venda nos principais supermercados de Cruzeiro do Sul a partir desta terça-feira.

O presidente da Assembléia Legislativa do Acre, Edvaldo Magalhães, que foi o principal articulador político para que a relação de comércio entre os dois países acontecesse, comemorou a chegada dos produtos e não conseguia conter o entusiasmo. “É uma conquista, onde a aposta e a boa causa, que tem o melhor dos propósitos se sobrepõem a todas as adversidades. A concretização desse vôo é um esforço colegiado das instituições federais que tem responsabilidade com o alfandegamento do aeroporto. Temos que agradecer a Infraero, Receita Federal, Anvisa, Ministério da Agricultura, Polícia Federal e de esforços governamentais como o Governo do Estado que baixou decretos para viabilizar a comercialização, isentando de ICMS esses produtos vindos do Peru, como a Assembléia Legislativa que tem sido a incentivadora principal nesse processo, o apoio do gabinete do senador Tião Viana na relação com as instituições federais e principalmente do empreendedorismo, sem a iniciativa privada fazer negócios, não tinha como viabilizar o vôo”, diz. Edvaldo comenta ainda, que o objetivo a partir de agora é garantir a freqüência dos vôos até a reabertura da BR-364, para assegurar produtos com preços mais acessíveis em Cruzeiro do Sul e região.

Além de Edvaldo Magalhães, estiveram no Aeroporto, o prefeito de Cruzeiro do Sul Vagner Sales, a deputada estadual Antônia Sales, a deputada estadual Idalina Onofre, o superintendente do Ministério da Agricultura no Acre, Jorge Luiz Hessel, o chefe da delegacia da Polícia Federal no município, José Roberto Perez, o superintendente local da Infraero, Osvaldo Dilson e representantes dos demais órgãos aduaneiros. O prefeito Vagner Sales que também é um dos interessados com a relação comercial entre os dois países, considerou o momento importante para a região e para a economia do município, já que a população terá a oportunidade de comprar frutas e verduras com um preço mais acessível, nessa época em que os cruzeirenses ficam isolados via terrestre da capital do Acre e do resto do País.

O presidente da Associação Comercial de Cruzeiro do Sul, Marcos Venícius, diz que o tomate que é um dos produtos mais consumidos, será vendido em torno de R$ 3,99, menos da metade do preço praticado atualmente (entre 9 e 8 reais). “Esse foi um processo muito trabalhado, porque ele funciona como um socorro a população. Nós sabemos que quando a estrada fecha a população não pode consumir esses produtos, nem todo mundo pode pagar R$ 8 reais em um quilo de tomate e a preocupação dos empresários é garantir o abastecimento com um preço, que a população possa pagar”, diz Marcos Venícius.

Negociação com a empresa Aérea

 

A Rio Linhas Aéreas é uma empresa de transporte aéreo de cargas sediada em Curitiba (PR). Recentemente ela ganhou uma licitação e está fazendo o transporte de cargas para o Correio, voando para Porto Velho (RO). Diante dessa possibilidade, políticos e empresários negociaram com a Empresa que aceitou o desafio. Uma vez por semana o Boeing fará um vôo trazendo carga de Porto Velho para Cruzeiro do Sul de onde será estendido o trajeto até Pucalpa no Peru.
O Boeing 727-200 transporta até 24 toneladas nesse trecho. O gerente comercial da empresa, Ricardo Amaral também veio à Cruzeiro do Sul no vôo inaugural. “A Rio em nome do seu presidente Leonardo Cordeiro, parabeniza a integração entre Brasil e Peru e as autoridades, porque isso envolve toda essa operação e a Empresa aceitou esse desafio porque acredita, e também pelos benefícios que traz as pessoas. Estamos felizes por executar essa operação e com sucesso”, comenta o gerente comercial da Rio Linhas Aéreas.
 
Alfandegamento 


O Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul ainda não é alfandegado, esse foi um dos principais desafios para políticos e empresários. No município ainda não estão presentes todos os órgãos que compõem a parte aduaneira, foram necessárias negociações com autoridades políticas e administrativas, de todos os níveis para quebrar esses entraves. Para receber estes vôos internacionais, o Aeroporto está sendo alfandegado provisoriamente, um dia por semana sempre na segunda-feira. Para isso, as instituições que ainda não estão instaladas na cidade, estarão se deslocando para Cruzeiro do Sul, são profissionais para fazer a inspeção e fiscalização dos produtos. Para este primeiro vôo, a Receita Federal enviou uma técnica em administração, um analista tributário e dois auditores. O Ministério da Agricultura disponibilizou um classificador e um fiscal federal agropecuário.

Segundo Osvaldo Dilson superintendente local da Infraero, o terminal de passageiros do Aeroporto, dispõe de espaço para abrigar todos os órgãos com pessoal e imobiliário conforme as normas exigidas. O que o Aeroporto ainda não dispõe é um terminal de cargas, mas para isso, a Infraero vai improvisar uma garagem para servir de forma provisória como terminal. Por enquanto, uma tenda foi improvisada com dois contêiners frigoríficos cedidos pelo empresário Abrão Cândido, sem o qual não seria possível a vinda dos produtos principalmente os perecíveis.  

Um ano de negociações

Exatamente um ano depois da primeira visita da comitiva acreana ao Peru, acontece o primeiro vôo concretizando a integração comercial entre os dois países. O presidente da Assembléia Legislativa, Edvaldo Magalhães, não esquece nessas negociações, um momento que considera um dos mais tristes de sua vida. Em dezembro do ano passado, poucos dias antes do Natal, empresários e o Deputado se concentravam no Aeroporto aguardando a chegada da aeronave que já estava carregada em Pucalpa, informava os contatos com o Peru. Mas no momento de funcionar o avião, faltou no Aeroporto da cidade peruana um equipamento denominado APU (Unidade de Potência Auxiliar) que serve para auxiliar no acionamento das turbinas. Com a falta desse equipamento, o vôo atrasou e venceu o prazo de alfandegamento do Aeroporto de Cruzeiro do Sul. “Aquilo foi frustrante, houve muitas incompreensões depois, mas como pessoas públicas a gente tem que ser cobrado mesmo. As pessoas têm que cobrar, na medida que a sociedade cobra a gente também se anima em se superar, hoje eu estou recuperando aquela alegria perdida em dezembro”, diz aliviado o presidente da Aleac. 
 
www.tribunadojurua.com - Genival Moura

26 de abril de 2010

Aldo Rebelo

Liberdade – essa palavra,
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!
Cecília Meireles, em O Romanceiro da Inconfidência


A atualidade de Joaquim José da Silva Xavier deve ser celebrada no 218º aniversário de sua imolação como símbolo de um movimento de autonomia nacional que ainda hoje está por se completar na formação social brasileira. A Conjuração Mineira foi um daqueles sonhos a que os homens se entregam por intuírem o caminho da História antes de a História lhes oferecer as condições determinantes para a materialização do sonho. Assim ocorreu com a Comuna de Paris, em 1791, definida por Karl Marx como uma tentativa de tomar o céu de assalto. Como já tive oportunidade de observar, também aos revolucionários de Vila Rica a História não recusou a razão, mas lhes negou a oportunidade.

O projeto político de conquistar a Independência e proclamar a República do Brasil foi muito além da troça que certos centros de pensamento querem lhe atribuir, apontando os conjurados como mais interessados em não pagar impostos à Coroa portuguesa do que em fundar uma nação. Joaquim José da Silva Xavier foi líder visionário, não um fantoche manipulado pela elite de Vila Rica, que, afinal, se era elite interessada na Independência do Brasil, constituía o povo da época. Como na memorável luta contra os holandeses no Nordeste, no século anterior, em Minas também se reuniam pela causa nacional os reinóis, os mazombos, os mestiços. Todos foram punidos, uns com a morte na cadeia, outros com o degredo e Tiradentes com a forca. Os banidos para a África e que lá morreram só voltariam à pátria por ordem do presidente Getúlio Vargas, que em 1942 mandou buscar um a um os heróis falecidos no desterro.

Inspirados por versos de Virgílio [Libertas quae sera tamen], reivindicavam liberdade ainda que tarde, e tinham como fonte os filósofos do Século das Luzes que refletiam a crise do Absolutismo e do Colonialismo no século XVIII e forjavam novas idéias e poliam os homens que iriam lutar e morrer por elas. Os conjurados de Minas Gerais miravam as nuvens que a Ilustração espalhara no céu da democracia, do que foram exemplos mais eloqüentes a Independência dos Estados Unidos da América, que nasciam como república, e a gloriosa Revolução Francesa. Nações em formação no Novo Mundo, como a americana e a brasileira, e as Colômbias de Simon Bolívar, já eram grandes demais para caber no apertado gibão da Europa feudal em transição para o capitalismo.

O sonho dos conjurados era implantar fábricas de tecidos e siderurgias na colônia que queriam tornar país. Tiradentes desenvolveu sua consciência política patrulhando o Caminho Novo, que ligava Minas ao Rio, por onde via passar as riquezas das jazidas auríferas do Brasil desviadas para Portugal, na quota de 100 arrobas de ouro por ano, aumentada em 1762 para oito mil quilos a título de dívida fiscal atrasada. O esbulho levava o nome de derrama.

Preterido nas promoções da Cavalaria, nunca tendo passado do posto de alferes, estabeleceu-se no Rio, levando a vida como qualquer do povo, trabalhando de mascate, tropeiro, boticário e dentista. Não era um homem sem luzes: órfão, sem nunca ter feito estudos regulares, projetou a canalização dos rios Andaraí e Maracanã para melhorar o abastecimento de água da sede do vice-reino. Há notícias de que admirava o progresso industrial da Inglaterra, guardava um exemplar da Constituição dos Estados Unidos e citava a figura do presidente da República em oposição a um rei distante.

Depois de enforcado, em 21 de abril de 1792, no Largo de Lampadosa, atual Praça de Tiradentes, no Rio de Janeiro, teve os restos mortais espalhados na estrada que patrulhara e onde tecera seu sonho de Independência política, econômica e cultural do Brasil. Seus algozes o queriam maldito e esquecido, mas cada parte de seu corpo esquartejado parece ter servido de semente para a árvore da liberdade que germinou no Brasil e ornamentou os versos de Cecília Meireles. O povo do Rio de Janeiro logo mandou celebrar missas na intenção da alma do herói, e, pelo repúdio público, fez com que o traidor Joaquim Silvério dos Reis mudasse o nome para Montenegro e o domicílio para o Maranhão.

A atualidade de Tiradentes é a mesma da Questão Nacional que ele antecipou antes da expressão. Seu vulto histórico nos repõe a importância e urgência de um projeto de autonomia nacional com vistas à consolidação de um País forte, soberano, próspero, que produza e distribua riquezas suficientes para assegurar o bem-estar material e espiritual desta civilização única que erguemos nos tópicos.

Desde a infância da Nação esta tem sido uma empreitada difícil. A mesma rainha louca Maria I que mandou esquartejar Tiradentes, promulgou um alvará proibindo fábricas no Brasil e mandou destruir até os teares em que as mulheres fiavam a roupa dos filhos. Quase um século depois, os próceres da República, empenhados em industrializar o Brasil, eram dissuadidos pela casa bancária inglesa dos Rotschild, que nos recomendava exportar café e deles comprar linha, agulhas e botões. Foi na construção da identidade nacional que a República resgatou o heroísmo de Tiradentes.

As lutas do passado continuam, por outros meios e caminhos, no presente. Os embates que o Brasil trava contra o protecionismo das grandes potências, as pressões para a liberalização comercial que nos engoliria como país produtor de riquezas, e tantas outras ofensivas, fortalecem a convicção de que a Questão Nacional está viva, e aponta para a necessidade de mantermos a soberania nacional como atributo essencial do Estado.

Nos dias de hoje, sofremos um tipo novo de intervenção que nos limita a autonomia de dispormos de nosso território e recursos naturais em benefício do desenvolvimento e do bem-estar do povo. A abertura de estradas, construção de hidrelétricas, vivificação das zonas de fronteira, modernização de leis para ampliação da agricultura e democratização da propriedade da terra são boicotadas por governos estrangeiros e suas cabeças de ponte chamadas ONGs do meio ambiente. O exemplo histórico de Tiradentes é um alento para continuarmos a luta pela autonomia de um projeto nacional e soberania do Brasil.

*Aldo Rebelo é jornalista, escritor e deputado federal (PCdoB-SP). Recebeu em 10 de novembro de 2003 a Medalha Tiradentes, da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

FONTE: VERMELHO

21 de abril de 2010

No Dia do Índio: Jorge Viana e Edvaldo Magalhães visitam cidade de Santa Rosa, a mais indígena do Estado.

O menor município do Acre é o que tem o mais belo tapete verde entre todos. A biodiversidade que protege Santa Rosa bebe na fonte do Purus, um dos dois rios, junto ao Juruá, mais importantes do Estado. A cidade risca a fronteira onde o Purus começa a ser Brasil, pois sua nascente vem dos esconderijos dos Andes peruanos. É também onde se concentra – entre o Purus e o Chandless -  a maior área de preservação da região acreana. Um patrimônio já identificado, mas ainda não completamente dimensionado na sua riqueza esplêndida.

Foi nesse ambiente, nesta segunda, dia 19 de abril, Dia do Índio, que Jorge Viana e Edvaldo Magalhães decidiram pegar um bimotor e voar até o santuário Santa Rosa, a cidade mais indígena do Acre e a que tem o menor número de eleitores. A dupla, que deverá ser a escolhida, no dia 30, candidatos ao Senado pela Frente Popular foi dialogar com lideranças da região a fim de que essas pudessem expor opiniões sobre o que andam pensando sobre o futuro e as eleições que se aproximam.

Santa Rosa, mesmo sendo pequena no tamanho, tem uma vida política entre seus atores muito dinâmica. Tanto que a acolhida a Jorge e Edvaldo reuniu as mais variadas lideranças da cidade, inclusive de partidos não integrantes da FP. Foram ao encontro previamente combinado, num clube local, para expressar apoio a Jorge Viana, a quem eles dizem ‘ser o mais importante político’ e ‘o que mudou o Acre’, recolocando o Estado nos ‘devidos trilhos do progresso e da prosperidade’.

Comerciantes, professores, militares, professores, servidores públicos dos três níveis, acadêmicos da UFAC, indígenas, políticos e representantes de diversos segmentos da comunidade atenderam ao chamamento de Jorge e Edvaldo e passaram a manhã debatendo temas de interesse do município, do Acre e do Brasil.

Jorge Viana, que serviu inclusive de mestre de cerimônia, tal a simplicidade do ato político, disse que os moradores de Santa Rosa são os responsáveis pela fiscalização do Purus. E que a cidade, por ser a menor entre as 22 do Estado, tem que ter a maior atenção do poder público. “Vocês são os guardadores do Purus. Se Santa Rosa tivesse somente um eleitor mesmo assim eu viria aqui com o Edvaldo, porque nós fazemos política diferente. Voto é consequência. Essa cidade tem que estar no começo da fila. Não no fim, como pensam e agem alguns”, afirmou.

O ex-governador  apresentou Edvaldo como seu quase certo companheiro de chapa ao Senado e explicou que é na política que se pode ajudar as pessoas e reduzir as dificuldades de lugares como Santa Rosa. ‘Aqui tem que ser o começo da fila e não o final’.

Jorge explicou às lideranças da cidade que o presidente Lula, segundo ele, o ‘que mais ajudou o Acre em todos os tempos’, sofreu muito com a falta de apoio no Senado. E que agora, com a provável dobradinha com Edvaldo, o Estado vai estar afinado no Câmara alta da nação. ‘Só quando a gente olha para o Senado é que vê o Acre do tamanho de São Paulo. Lá como aqui são três senadores’.

A escolha do nome de Edvaldo, no fim deste mês, ainda de acordo com Jorge Viana, é a garantia que a Frente Popular tem de não “ser subtraída” em seus votos. “Edvaldo, que foi meu líder leal por longos oito anos, se eleito, irá garantir no Senado a vaga que foi roubada da FP. Agora o seguro morreu de velho’, ressaltou o político mais importante do Acre.

Por sua vez, o virtual candidato da outra vaga no Senado, Edvaldo Magalhães, afirmou que o povo tem um “desafio extraordinário” neste ano. E devolveu a gentileza que havia recebido de Jorge Viana minutos antes em frente das personalidades de Santa Rosa. “Nós precisamos de Jorge na política. Foi ele quem construiu as melhores conquistas do nosso Estado’.

Segundo Edvaldo, foi na gestão do ex-governador do PT que o Acre aprendeu o que significa ter um governo de verdade. “Foi no seu governo que o povo descobriu o que é ter um governo sério e comprometido com o desenvolvimento.” E revelou ainda: “E na política estadual não existe ninguém mais próximo do Jorge do que eu’.

Edvaldo Magalhães encerrou afirmando que a vitória em outubro da candidatura ao governo do senador Tião Viana ‘será um orgulho para todo o Estado’.

Por fim, a principal liderança do município, o prefeito Zé Brasil, pegou a palavra e fez uma promessa que, segundo ele, já aconteceu na cidade. “Companheiros Jorge e Edvaldo, fiquem tranqüilos! Que aqui em Santa Rosa vamos dar à chapa Tião-Jorge-Edvaldo, mais de 90% dos votos dos eleitores da nossa cidade.”

20 de abril de 2010

Dizem que numa eleição o importante é o voto na urna e a vitória na contagem final da Justiça Eleitoral. Na sexta-feira, 16, porém, outros elementos passaram a se incorporar na gama de detalhes que fazem de uma jornada política um prenúncio de sucesso capaz de continuar mudando os destinos de um Estado.

Não foi por acaso que os prováveis candidatos da Frente Popular ao Senado Jorge Viana e Edvaldo Magalhães começaram suas andanças ouvindo as lideranças da cidade de Plácido de Castro, herói nacional que lutou pela incorporação do Acre ao Brasil e que empresta seu nome ao município fronteiriço com a Bolívia.

Sob as sombras da floresta e às margens do rio Rapi-rã, cercado pelo imenso rio Abunã, que divide o lado acreano do boliviano, Jorge e Edvaldo deram início a uma jornada denominada por eles mesmos como “reunião para ouvir as lideranças, as pessoas”. O primeiro encontro, ambientado pelo calor da tarde da sexta de abril, foi prestigiado por inúmeras personalidades de Plácido, a cidade emblemática.

Professores, religiosos, sindicalistas, produtores, servidores públicos, empresários e políticos da cidade puderam ouvir e falar sobre o que pensam sobre a disputa eleitoral deste ano e que no Acre, sem dúvida, parece estar revestida de importância singular.

Plácido é a terra que deu origem a Jorge Viana e seus irmãos. Sua avó e sua mãe nasceram na região num tempo em que o sonho Acre ainda era apenas um sonho de revolucionários e sonhadores inconformados. “Aqui nasceu a história da minha vó e da minha mãe. Aqui tem o nome de Plácido de Castro, nosso herói. Tem muito simbolismo. Por isso nossa jornada começa por Plácido”, disse o ex-governador Jorge Viana.

Para o líder que ficou afastado da política, inclusive sem mandato por quatro anos, o Acre não pode errar, pois em 2010 s

e disputa a mais importante eleição da década. Jorge, que lembra que a Frente Popular nunca perdeu uma eleição para o Senado, diz que agora o Estado terá condições de ter, de fato, três senadores. “Queremos ter uma plataforma única. Uma bancada de senadores lutando em favor do Acre. Com uma agenda comum. É só no Senado que o Acre é do tamanho de SP, do RJ e de MG”, explica.

Jorge recordou que o Acre já teve três senadores de um mesmo grupamento político, nos anos 80, mas de triste memória. “Todos lembram que um jogou bomba no jornal do outro. Não trabalhavam em sintonia e o Estado só perdeu com eles’.

O ex-governador ressaltou a possibilidade de ter Edvaldo Magalhães na chapa com ele. “Na eleição de Senador, há oito anos, nós elegemos dois. Um nos abandonou. Agora, nós temos aqui o Edvaldo, que foi meu líder por oito anos e mostrou toda sua lealdade com a Frente Popular.”


Acrelândia, unidade na adversidade

A visita de Jorge Viana e Edvaldo Magalhães se estendeu à cidade de Acrelândia, a primeira do Estado por quem entra pela BR-364, vindo de Rondônia. Nesse município, que tem forte presença de imigrantes do Sul e do Centro-Oeste, um fato chamou a atenção: a unidade política em defesa da Frente Popular. Mesmo com os problemas locais que se verificam no dia a dia.

Uma declaração de Tiago de Melo, atribuída a Armando Nogueira (Nossas diferenças não podem se transformar em divergências) e contada por Jorge Viana na reunião, contribuiu com o clima de unidade no município. Em depoimento, o ex-prefeito Vilseu Ferreira, que está fora do cargo por decisão da Justiça Eleitoral (o prefeito atual é Carlinhos, do PSB), declarou seu apoio à provável chapa majoritária da FP, Tião-Jorge-Edvaldo. “Vou continuar na Frente Popular e meu apoio será ao Tião Viana, ao Jorge e a Edvaldo”, disse.

Como em Plácido, as lideranças de Acrelândia puderam falar e expressaram seu apoio a Jorge e Edvaldo com palavras de incentivo incomum para um começo de jornada eleitoral. “Isso anima a gente. Saio daqui completamente entusiasmado para uma batalha que está só começando”, disse Edvaldo Magalhães.


Consciente de que uma candidatura ao Senado não pode ter como sustentáculo a vontade pessoal ou do seu partido apenas, Edvaldo afirmou, ainda em Plácido, e repetiu em Acrelândia, que se for candidato e eleito senador saberá honrar o compromisso. “Não serei um senador do PCdoB ou da Frente Popular. Serei um senador do Acre.”

Edvaldo declarou que nunca tinha pensado na vida em ser candidato ao Senado. E que um dia Jorge

Viana chegou e pediu para ele “começar a pensar no assunto”, pois o Acre precisava de um candidato com “credibilidade, capaz politicamente e leal aos interesses do Estado”.

Jorge Viana reforçou o apoio a Edvaldo: “Edvaldo tem o fermento da política, que é a lealdade com os compromissos. Ele vai dar orgulho no Senado, e o povo do Acre não pode escolher errado, senão só daqui a oito anos vamos ter nova oportunidade como essa”, ressaltou.

Jorge disse ainda que os dois prováveis adversários dele e de Edvaldo ao Senado - Petecão e Geraldinho - vão ter que encarar o povo, pois foram eleitos por uma coligação e depois a abandonaram. “Um [Geraldinho] nós ajudamos a eleger ao Senado. Até o presidente Lula veio aqui pedir votos para ele. Ficou 40 dias pedindo votos para ele. O outro [Petecão], esse besta aqui [apontando para si mesmo] e aquele besta ali [apontando para Edvaldo] ajudamos a eleger quatro vezes presidente da Aleac. Depois ajudamos a eleger deputado federal. Depois foi embora. Não tem problema. Eles que acertem as contas com a população. Eu prefiro ser enganado a enganar alguém”, afirmou.



Greve e aplausos


Ao término da reunião em Acrelândia, já à noite, dezenas de servidores da Educação municipal esperavam por Jorge e Edvaldo do lado de fora. Quando os trabalhadores viram a provável dupla ao Senado da Frente Popular, o movimento se transformou em cordialidade e aplausos, o que deixou a todos que estavam nas proximidades completamente com cara de espanto.
É o prenúncio, quem sabe, de uma jornada vitoriosa em favor do Acre.

Fonte: Pagina 20

18 de abril de 2010


A Assembléia Legislativa do Acre realizou nesta quinta-feira, 15, sessão especial em homenagem aos fundadores das três organizações religiosas mais tradicionais no uso da ayahuasca no país: Centro de Iluminação Cristã Luz Universal - Alto Santo, Centro Espírita e Culto de Oração Casa de Jesus Fonte de Luz e União do Vegetal.


Por sugestão do deputado Moisés Diniz (PC do B), foram concedidos títulos de cidadãos acreanos (in memorian) aos mestres Raimundo Irineu Serra (maranhense), Daniel Pereira de Mattos (maranhense) e José Gabriel da Costa (baiano).



Dona Peregrina Gomes Serra, esposa de Irineu Serra, dona Pequenina, esposa de Gabriel da Costa, além de dois filhos de Daniel Pereira de Mattos, receberam as homenagens.


Também participaram da solenidade o padre Luiz Máximo, o pastor Francisco Albino de Souza, da Faculdade de Teologia Batista Betel, o ex-padre e ex-deputado estadual Manoel Pacífico da Costa, os deputados federais Fernando Melo (PT-AC) e Perpétua Almeida (PCdoB-AC), além do juiz federal Jair Facundes.


- Eu nasci pelas mãos de dona Peregrina Serra - lembrou o juiz federal, que toma daime desde quando estava no ventre da mãe dele e integrava a mesa, ao lado da viúva de Irneu Serra.


- O que realizamos hoje é um marco na história do Acre e tenho certeza de que contribuirá para ampliar o respeito e a tolerância religiosa existente em nosso Estado - afirmou o deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB), presidente da Assembléia.


As Comunidades Tradicionais da Ayahuasca, que realizaram durante a semana o seminário "Construindo Políticas Públicas para o Acre", entregaram a Edvaldo Magalhães uma carta (leia aqui) sobre a realidade das mesmas no Estado.


- Vamos trabalhar para que seja transformada em lei boa parte das sugestões contidas no documento - afirmou Magalhães.


A homenagem aos fundadores dos três troncos das doutrinas da ayahuasca foi aprovada pela unanimidade dos deputados estaduais.


O deputado Moisés Diniz, autor do projeto, leu o discurso intitulado "Profetas da Floresta".


- Mestres Irineu, Daniel e Gabriel, profetas da floresta, antes de tudo, eram homens, na sua beleza e na sua perversão, pecadores como nós, como qualquer um, como Buda, como Maomé, como Jesus.


Clique aqui para visualizar fotos da solenidade histórica na Assembléia Legislativa do Acre. Também é possível ouvir (clique aqui) o áudio da sessão em homenagem aos mestres da ayahuasca.


Fonte: Blog do Altino

15 de abril de 2010

"Quem tem de se explicar é o Datafolha", afirma João Francisco Meira, diretor-presidente do Vox Populi. Ele critica a Folha de S.Paulo por não ouvir o instituto ao questionar sua metodologia. "O Vox Populi tem um modelo, falamos na casa das pessoas, damos tempo para elas responderem, nossas pesquisas podem ser auditadas a qualquer tempo", pondera. "O Datafolha faz entrevistas na rua, sem verificar se a pessoa mora mesmo na cidade", compara.

Anselmo Massad - Rede Brasil Atual

Diante dos questionamentos a respeito dos resultados da pesquisa eleitoral do Vox Populi, o diretor-presidente do instituto João Francisco Meira critica a cobertura da Folha de S.Paulo e enseja ir ao ataque. "Quem tem de se explicar é o Datafolha", afirma em entrevista à Rede Brasil Atual.

Divulgada no sábado pela Band, o levantamento mostrou ascensão da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, que empatou tecnicamente com o nome do PSDB ao cargo, José Serra. O ex-governador de São Paulo aparece com 34% das intenções de voto contra 31% da ex-ministra da Casa Civil. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Um dos principais questionamentos ao levantamento do Vox Populi diz respeito à ordem das perguntas. Primeiro, os entrevistados eram interrogados sobre o conhecimento prévio dos pré-candidatos. Depois, demandava-se a intenção de voto. "Nossos levantamentos são feitos da mesma forma há anos, sem alteração", defende-se Meira.

Admitindo-se irritado com "essa conversa sobre nosso questionário", ele defende a opção adotada pelo instituto. "Quem disse que perguntar sobre o conhecimento do candidato influencia na intenção de voto? O contrário é que sim", critica.

Para o cientista político, a ordem é necessária porque as questões sobre a preferência do eleitor incluem apresentar diferentes listas de candidatos aos entrevistados. Depois de ler os nomes nas cartelas, os participantes poderiam dizer que ouviram falar de um dos concorrentes apenas porque viram seu nome entre as opções apresentadas.

A diferença de metodologia entre os realizadores de pesquisas eleitorais poderiam ser reduzidas, na visão de Meira, com diálogo entre as empresas, mas não há disposição para isso. "É uma discussão que deveria estar no plano técnico mas, por uma opção editorial, dão outro rumo", lamenta.

"O Vox Populi tem um modelo, falamos na casa das pessoas, damos tempo para elas responderem, nossas pesquisas podem ser auditadas a qualquer tempo", pondera. "O Datafolha faz entrevistas na rua, sem verificar se a pessoa mora mesmo na cidade", compara.

Meira lembra que outros institutos como o Sensus e o Ibope trouxeram tendências semelhantes às contatadas pelo Vox Populi. Ainda segundo ele, o único com dados divergentes foi o Datafolha. "Na pesquisa de março, (os técnicos do Datafolha) não publicam detalhes, e as explicações que deram não batem", critica. As mudanças no cenário, relacionadas ao fim dos problemas com as chuvas em São Paulo e o crescimento sem causas específicas na região Sul foram as razões apresentadas pelo Datafolha.

Segundo Meira, a principal diferença entre os institutos é que o Datafolha faz parte de um grupo de comunicação que tem um jornal de grande circulação. "Não posso brigar com um jornal como esse", sustenta. "Enviamos uma nota ainda no sábado para o jornal (Folha), mas nenhuma linha foi publicada. Queria saber se o manual de jornalismo que eles dizem respeitar está sendo respeitado neste caso", ataca.

Apesar das duras críticas, Meira defende que os quatro principais institutos de pesquisa do país têm capacidade de projeção semelhante nas proximidades do pleito. Para isso, cita estudos de Marcos Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj).

Resultados
Para João Francisco Meira, o levantamento de abril é um marco no processo de campanha porque é o último produzido antes da desincompatibilização dos candidatos. Nas próximas edições, os eleitores lidarão com personalidades na condição de pré-candidatos e não ministro ou governador – no caso dos dois primeiros colocados. "Agora, ambos estão livres da condição de mandatários para se movimentar em debates pelo país ou dar entrevistas na TV e no rádio", aposta.

Em relação a Dilma e Serra, os percentuais estão relacionados à projeção obtida nas propagandas políticas obrigatórias de seus respectivos partidos. De um lado, a pré-candidata petista conseguiu um importante embalo pela exposição da propaganda partidária de dezembro. Mais recentemente, recebeu um impulso ligado ao maior conhecimento de que seu nome é endossado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro lado, José Serra conteve a queda também por contar com maior espaço nas inserções de TV e rádio.

Esse conjunto, segundo Meira, explicaria os quatro pontos percentuais a mais recebidos por Dilma e a estabilização de Serra.

Fonte: Agencia Carta Maior

06 de abril de 2010