Durante o feriado de segunda (Dia Internacional da mulher) o grupo de trabalho que trata dos vôos inter-fronteiriços, coordenado pelo ministérios de relação exteriores, reuniu por horas no aeroporto de Cruzeiro do Sul com pauta bastante definida: identificar in loco que medidas precisam ser adotadas por cada órgão anuente com fins de viabilizar o alfandegamento definitivo daquele aeroporto e medidas a curtíssimo prazo que possam viabilizar o afandegamento provisório do mesmo.


Com representação maiúscula ali se fizeram presentes a Infraero, Receita Federal, Anvisa, Ministério da Agricultura, Polícia Federal, Governo do Estado, Assembleia Legislativa e Ministério de Relações Exteriores. Além dos investidores locais coordenados pela Associação Comercial de Cruzeiro do Sul.


A presença de todos em Cruzeiro já foi uma primeira vitória.


A vistoria sugerida e realizada pelos órgãos levou a uma constatação básica: o aeroporto oferece boas condições de infra-estrutura e as medidas emergenciais são todas factíveis num curto espaço de tempo. Rede lógica protegida para que a receita possa operar no aeroporto, equipar salas para o conjunto dos órgãos que irão atuar com o mobiliário necessário, montar uma cobertura no espaço onde estão instaladas as câmaras frigoríficas, instalação de balança, acesso a internet para a Polícia Federal dentre outras.


Para uma situação mais duradoura, a Infraero terá que construir um terminal de carga, o que poderá ser viabilizado ao longo do ano.


Após todo o debate, um pacto foi selado apontando para a real possibilidade de atendimento à solicitação do empresariado local para que se possa alfandegar de forma provisória, para vôos programados de cargas e passageiros, no período de Abril a Julho de 2010, uma vez por semana. Um acordo que deixou a todos satisfeitos.


Foi um feriado produtivo.


Agora é garantir que cada medida assumida pelos órgãos possam ser cumpridas dentro do prazo estabelecido e que a iniciativa privada se organize para realizar as operações. Assim estaremos iniciando um caminho que se alargará no futuro. Temos o que comprar, há um mercado consumidor de 200 mil habitantes que precisam dos produtos e uma faixa de consumidores que querem encontrar novos caminhos de lazer. Por ali é mais perto e mais barato.


Não é fácil abrir caminhos novos. Mas como diz o poeta, o novo sempre vem!



09 de março de 2010

Depois de 20 anos é preciso olhar para si.

Foi isso que decidiu a Frente Popular nesta sexta-feira quando da instalação de seu conselho político. Estavam presentes 15 partidos.

Uma reflexão sobre a trajetória, as políticas públicas vitoriosas e os desafios postos para o futuro da aliança estarão no centro do debate nos seminários que acontecerão da segunda quinzena de abril até o final de maio nas cinco regionais do estado.

Uma oportunidade de ouro que promoverá o reencontro da militância com sua trajetória.

Momento de intensos debates e de reafirmação de princípios programáticos. Ali surgirão propostas que atualizarão nosso programa neste novo ciclo que se abre a partir das eleições de 2010.

Quem teve a capacidade de mudar radicalmente a política do Acre e iniciar a implantação de um projeto de desenvolvimento ancorado em nossas raízes de vocação florestal, saberá muito bem ajustar o foco e construir diretrizes programáticas que estejam à altura dos novos desafios sem perigo de perda do caminho.

Será um momento único de celebração para centenas de militantes do movimento social, agentes políticos e gestores públicos  que poderão debater de igual num ambiente democrático e sadio. Os construtores da mudança poderão refletir sobre o feito, questionar rumos e levantar novas bandeiras.

A Frente estará “frente a frente” com sua história. Olhará nos olhos de sua militância e terá a oportunidade de repactuar sua unidade, chave de todas as suas vitórias.

Só com ousadia é possível reinventar-se. Estamos no caminho certo.

Ao debate.

05 de março de 2010

Desde a ultima sexta que a sucessão ao governo do Binho começa a dar passos mais largos no pós carnaval.

A Frente Popular deu o tom. Uma reunião representativa, cheia de simbolismos passou um recado direto a quem tinha alguma dúvida sobre a solidez da aliança: a Frente continua ampla, sólida e com rumo bem delineado. Reunir 15 partidos num clima de bons fluídos, sem arranhões e senões, não é fácil. Mas aconteceu de forma natural e o ambiente interno é de “céu de brigadeiro”.

Dias após o PMDB passa a entrar em cena. Depois de frustrantes embaixadas por um alinhamento de palanque único já no primeiro round, decidiu por apresentar seu time puro sangue. Com candidatos ao governos e senado, o PMDB põe uma equação a ser resolvida nos próximos 30 dias: quem quiser me acompanhar, que se apresente. Em Brasília, no meio do turbilhão Arruda, o PMDB teve que buscar fôlego para não declinar do jogo.

PSDB, PPS, DEM e outros aplaudem a decisão do ex-aliado. Afirmam que o jogo é de campeonato e que um encontro estaria marcado numa suposta esquina do segundo turno. Fernando Lage e Sergio Barros protagonizam a chapa do senado neste campo, com Bocalom disputando o governo. Um cenário que se desenha agora podendo ganhar contornos definitivos mais adiante, embora as apostas tenham se diluído nos últimos dias.


Por fora, tentando reunificar o campo oposicionistas, sinaliza Petecão. Como de outras vezes, quer ser ungido. Resta saber a disposição dos figurantes.

04 de março de 2010

A pesquisa Datafolha deste final de semana ascendeu o sinal de alerta máximo na mídia golpista. As famíglias Frias, Mesquita, Civita e Marinho devem ter urinado nas calças. A sondagem revela o consistente crescimento da pré-candidata Dilma Rousseff, apoiada por Lula, que subiu cinco pontos e atingiu 28% da preferência. Ela também atesta a queda do presidenciável tucano José Serra, que recuou de 37% para 32% na taxa de intenção de voto. Com isso, a diferença entre os dois pré-candidatos recuou de 14 pontos para quatro pontos, o que aponta um “empate técnico”.

 Outros dois institutos, Sensus e Vox Populi, já haviam registrado o forte crescimento de Dilma e a estagnação – e até a queda – do grão-tucano. Mas a mídia preferiu escamotear os resultados. O Jornal Nacional, da TV Globo, sequer divulgou estas sondagens, num nítido desrespeito aos seus telespectadores. Agora, porém, é o Datafolha que confirma a tendência de polarização na eleição de 2010. Este instituto – juntamente com o Ibope do bravateiro tucano Montenegro – tem sólidas e sinistras ligações com a oposição neoliberal-conservadora. Serve aos seus interesses!

“Casco do navio está avariado”

O bordão da artista global Regina Duarte contra Lula, o famoso “eu tenho medo”, deve ter sido repetido pelos barões da mídia. O jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, interrompeu as suas férias para comentar o resultado do Datafolha. Para ele, “Dilma subirá mais ainda nas pesquisas” e deve ultrapassar Serra “logo após sair da Casa Civil”. O “especialista” em pesquisas avalia que “será uma campanha dura, mas em teoria muito mais fácil para o PT e para Dilma por conta da grande popularidade de Lula e da desarticulação do PSDB”, cujo “casco do navio está avariado”.

Numa espécie de consultoria gratuita, o “especialista” adverte que “a grande esperança tucana é desconstruir Dilma [seria um convite ao jogo sujo?] e provar ao eleitor que Serra seria o melhor nome para ocupar o lugar de Lula”. Bastante preocupados, outros articulistas da Folha apelam à imediata reação de José Serra e à unidade demo-tucana. Fernando de Barros e Silva sintetiza: “Não há dúvida de que Aécio agora será muito pressionado pelos tucanos. Mas quem precisa dizer a que veio antes que as águas de março fechem o verão é o governador de São Paulo”.

 “Precisamos de fatos novos”

 Mais maroto, o colunista Josias de Souza preferiu transferir o apelo aos apoiadores, ao dizer, em manchete, que “aliados cobram de Serra ao menos uma sinalização”. Bem enturmado no ninho tucano, ele informa “o grão-tucano reagiu à última pesquisa Datafolha de duas maneiras. Em público, considerou ‘natural’ a ascensão de Dilma, atribuída à superexposição. Em privado, ele concluiu que a subida da candidata de Lula pede ‘reação’. Na noite passada, um dirigente tucano disse ao blog: ‘Precisamos de fatos novos’ [outro convite ao jogo sujo?]”.

No mesmo rumo, o blogueiro oficial da famíglia Civita, o mercenário serrista Reinaldo Azevedo, deixa explícito o desnorteamento da oposição neoliberal-conservadora. No sítio da revista Veja, ele põem em dúvida até se o governador paulista lançará sua candidatura… “se é que vai lançar”. Para o pobre coitado, “ou bem o PSDB se dá conta do tamanho do desafio, ou bem se prepara desde já para continuar na oposição – ou sei lá que outros cenários certos tucanos imaginam que se seguiriam a uma eventual vitória de Dilma”. Patético, ele dá broncas em Aécio Neves e exige a imediata unidade do campo direitista. Parece o presidente-mor dos demos-tucanos. 

Do desespero ao jogo sujo

Tudo indica que a mídia golpista não ficará lambendo suas feridas, chorando o leite derramado. Ela partirá para o ataque, intensificando suas manipulações da cobertura eleitoral e jogando sujo nesta batalha considerada estratégica pelo bloco liberal-conservador. Há boatos de que a revista Veja prepara “reporcagens” pesadas e torpes contra Dilma Rousseff – uma delas sobre o famoso assalto ao cofre do ex-governador Adhemar de Barros, em julho de 1969. Os recentes ataques ao ex-ministro José Dirceu, em capas da Folha e destaques na TV Globo, confirmam esta tendência.

Até jornalistas críticos de esquerda do governo Lula ficaram impressionados com o seminário do Instituto Millenium, ocorrido nesta segunda-feira na capital paulista. Os barões da mídia e seus colunistas de aluguel babaram ódio contra a ministra Dilma Rousseff. Ela foi o principal alvo dos palestristas convidados por este novo centro conspirativo da direita nativa. Alguns mais afoitos a trataram como expressão do “stalinismo” e do “radicalismo”. O evento foi realizado para unificar a pauta da mídia venal com vistas à eleição presidencial, o que confirma que o jogo será pesado.

Fonte: Blog do Miro

03 de março de 2010


Quando terminou a reunião da Frente Popular nesta sexta-feira, com a participação de 15 partidos e presença do governador Binho, do ex governador Jorge Viana e do prefeito Angelim, uma nova etapa da construção política para as eleições de 2010 havia iniciado.


É de intrigar os adversários que um leque enorme de partidos, nucleados pela esquerda, governando o Estado por três mandatos consecutivos chegue às vésperas de definições importantes para o processo sucessório com um elevadíssimo grau de unidade política.


Por mais de três horas discutiu-se formato e funcionamento do Conselho Político, sua pauta e regularidade dos debates, convocou-se cinco seminários regionais para debater com profundidade a experiência política e administrativa acumulada ao longo dos 20 anos de existência da aliança no Acre.


De fato temos um patrimônio político invejável. A Frente encontrou um jeito novo de conduzir-se na construção coletiva dos processos internos. Por isso inova e renova-se. Como conseqüência uma nova etapa na disputa tende a ser-lhe plenamente favorável. Mas nada de salto alto. Pé no chão e muito diálogo serão marcas deste novo processo em construção.

27 de fevereiro de 2010


Quando citou, no início do discurso, trecho do poema de Mário Quintana, a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Roussef, adiantou o tom de seu discurso, uma resposta a perseguição que sofreu da ditadura militar. “Esses que ai estão, atravancando meu caminho, eles passarão; eu, passarinho.” O nome de Dilma foi aprovado, por unanimidade, no encerramento do 4º Congresso Nacional do PT, neste sábado (20), em Brasília, sob os olhares dos dirigentes dos partidos aliados – PMDB, PSB, PCdoB e PRB.


O seu discurso – mais longo do que o do Presidente Lula, que durou 55 minutos – incluiu ainda críticas à oposição e a grande mídia, destaque às conquistas e vitórias dos sete anos de Governo Lula e anúncio do compromisso em avançar na luta pela distribuição das riquezas, combate as injustiças sociais e as desigualdades regionais, crescimento econômico e inserção protagonista do Brasil no cenário internacional. Ao assumir o compromisso de pré-candidata, Dilma declarou que dará continuidade às transformações e disparou convicta: "continuidade é avançar, avançar e avançar".


A ministra Dilma disse que “preferimos as vozes oposicionistas – o que dizem livremente os grandes jornais -, ainda que mentirosas e caluniosas, ao silêncio da ditadura”, lembrando que quando falta democracia econômica e social, falta democracia como um todo, destacando que ao promover a distribuição de renda com respeito aos direitos humanos, quem pode duvidar da democracia praticada pelo Governo Lula.


E também criticou a oposição, sem citar diretamente o PSDB, ao dizer que o PT não mudou as regras no meio do jogo para garantir um terceiro mandato para Lula, em referência a manobra do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para permitir sua reeleição. “Vamos inaugurar o terceiro governo popular e democrático”, disse, arrancando aplausos e manifestações de aprovação do público.


A exemplo do presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, Dilma afirmou que as diretrizes de governo aprovadas no Congresso Nacional, serão submetidas ao debate dos partidos aliados e discutidas com a sociedade. Mas disse que assumiria alguns compromissos para indicar como quer continuar o processo de aprofundar o compromisso social dos governos Lula.


E manifestou propósito de ampliar o Bolsa Família e investir na qualidade na educação, “o meio de emancipação política e cultural do nosso povo”, afirmou.


Dilma emocionou a platéia quando fez referência aos companheiros mortos pela ditadura, dizendo que o exemplo deles - Carlos Alberto Soares de Freitas, Maria Auxiliadora Barcelos e Iara Iavelberg – lhe dá forças para aceitar o compromisso de concorrer às eleições presidenciais. Destacou também o apoio do Presidente Lula e do PT, que, segundo ela, “mudou quando foi preciso, mas nunca mudou de lado.”


Uma chuva de estrelas douradas desceu do teto, enchendo o palco, junto com as músicas-jingles em ritmo de carnaval, encerrando o evento, sob o eco das palavras finais de Dilma: “Vamos todos juntos até a vitória. Viva o povo brasileiro.”


Tarefa fácil


O Presidente Lula falou muito à vontade, expressando essa disposição logo no início do discurso, ao declarar que era tarefa fácil pedir votos para Dilma. Derramando-se em elogios à Dilma, o Presidente Lula destacou sua competência e inteligência.


“Essa é um coisa simples de fazer, convencer a votar na Dilma, até desnecessário, mais um microfone e um monte de gente é uma coisa apetitosa”, disse Lula, ao iniciar seu discurso de quase uma hora. Em sua fala, pautada pela preocupação do preconceito contra as mulheres, ainda vigente no Brasil, Lula disse que quem realmente vai convencer o povo a votar na Dilma será a campanha e os debates, para quebrar todos os preconceitos usados contra ela.


Segundo Lula, “o maior preconceito contra Dilma não é pelos defeitos, mas pelas qualidades”, citando como primeira qualidade o fato de “ser mulher”. Falou sobre sua experiência pessoal, admitindo que tanto ele como a companheira Marisa Letícia descobriram os limites da relação entre dois companheiros - que não é de um ser serviçal do outro, mas partilhar a vida – a partir da vivência política.


Menina e mulher


Referindo-se a Dilma inicialmente como “a menina de 20 anos que resolveu colocar sua própria vida em risco para garantir democracia no País”, Lula definiu a candidata à Presidente como “essa mulher que fez da sua ação governamental um trabalho extraordinário de servir aos outros e não se servir dos outros.”


Em meio a brincadeiras, que arrancaram risos e aplausos do público, Lula falou seriamente sobre o rigor de Dilma no trato da coisa pública, considerado uma virtude, que os adversários apontam como defeito. Disse ainda, em defesa de Dilma contra as acusações dos adversários, de que houve um tempo nesse país que os presos eram pessoas honestas, que lutavam pela democracia.


Ainda em defesa de Dilma, o Presidente Lula disse – em sinal de aviso – que vão acusá-la de “estatizista”. “Mas isso é bom, não temos que ter medo de assumir decisões importantes”, citando o exemplo de fortalecer a Eletrobrás como uma empresa grande nacional e multinacional.


O Presidente Lula assumiu, aos olhos dos dirigentes dos partidos aliados, que a candidatura de Dilma não é dele e não apenas do PT, é de uma coalizão de partidos. E lembrou que existem problemas nos estados que o PT precisa resolver com todos os partidos aliados - PMDB, PSB, PCdoB, PRB -, destacando ainda que cabe ao PMDB, como maior partido do País, indicar o candidato à vice na chapa da Dilma.


“Ela é candidata de uma coalizão de partidos políticos muito poderosa, que vai ajudar a ganhar e a governar. Não é a candidata do Lula, candidata-tampão, porque vai preparar a volta do Lula. Quem conhece política sabe que rei morto, rei posto, e um político nunca colocaria uma amiga, mas um adversário, com quem concorrer”, disse Lula, afastando a possibilidade de uma candidatura dele em 2014.


E manifestou desejo de que ela “cumpra um mandato extraordinário, para ganhar notoriedade, para ganhar outro mandato”. Segundo ele, “com nosso apoio, vai fazer mais e melhor do que fizemos.”


Usando o termo que o notabilizou - “nunca antes na história desse País” -, Lula citou todas as vitórias e conquistas do governo e disse que eleger a Dilma é coisa prioritária, porque representa a sua maior vitória, que é continuar transformando esse País. E encerrou sua fala dizendo que “humildemente, eu posso olhar na cara dos meus filhos, da minha mulher, dos meus netos e do povo e dizer que não existe ninguém mais preparado para governar o Brasil do que Dilma Roussef.”


Duas votações


Aplaudido de pé, sob o som alto do jingle de Dilma, Lula encaminhou a votação a favor da indicação de Dilma a pré-candidata a Presidente da República. Após a aclamação do nome de Dilma, o novo presidente do T, José Eduardo Dutra pediu nova votação, lembrando que três delegados não votaram. Após entregar crachá a Lula, Marisa Letícia e Dilma, foi feita nova votação. Decisão unânime: Dilma Roussef é pré-candidata do PT.


Dutra foi o primeiro orador do evento. Ele saudou Dilma como a futura Presidente do Brasil, fazendo silêncio para as manifestações do público de “Dil-ma, Dil-ma”. E depois corrigiu que “não é a futura, mas a próxima Presidente do Brasil.”


Ele destacou como qualidades de Dilma a competência, capacidade de trabalho e compromisso político, acrescentando que, “além disso, a nossa candidata tem profundo amor pelo povo brasileiro e compromisso com as práticas que estão sendo executadas pelo Presidente Lula.”


Dutra falou ainda, dizendo que repetiria à exaustão, que o documento aprovado no Congresso Nacional são diretrizes do Partido para ser apresentado e discutido com os partidos aliados e à sociedade.


Para Dutra, esse quadro de aliança, a candidatura de Dilma e a eleição de um nordestino à Presidente da República que tem seu nome na história do Brasil como o maior presidente que o País já teve eram situações inimagináveis anos atrás e que essa conjugação vai conquistar outro fato inédito que é eleger a primeira mulher Presidente do Brasil.


Um vídeo mostrando a história do Partido, desde a sua fundação, passando pelas campanhas eleitorais, as vitórias e as administrações de Lula, narrado por uma mulher que falava como se contasse a história de sua mãe, foi exibido antes das falas de Lula e Dilma.


Lilás e vermelho


As bandeiras lilases – cor símbolo do movimento feminista – substituíram as bandeiras vermelhas na manifestação. Aos gritos de “olé, olé, olá, Lu-la, Lu-la” e agito das bandeiras, os petistas e convidados cobravam o início do ato, já passados 40 minutos da hora prevista.


Logo cedo, todo o hall de entrada do Centro de Convenções, revestido em vermelho no chão e nas paredes – estava lotado. No auditório, minutos antes da hora marcada para o início do evento, ainda estavam sendo montados dois grandes painéis – um de cada lado – com o nome “Dilma” seguido da estrela do PT; e o palco ostentava um grande painel com a foto de Dilma e o Presidente Lula com os dizeres “Com Dilma, pelo caminho que Lula nos ensinou”.


Dando início ao evento, foram chamados ao palco, para compor a mesa, todos os petistas que ocupam cargo de governador e vice, prefeito e vice das capitais e todos os ministros, incluindo os de partidos aliados, como o comunista Orlando Silva, do Esporte, e o peemedebista Hélio Costa, das Comunicações, além dos líderes do governo e do PT na Câmara e Senado e os líderes dos movimentos sociais como o vice-presidente da UNE, Tiago Ventura e o presidente da CUT, Artur Henrique.


A chegada da comitiva de Lula e Dilma foi acompanhada pela montagem de ikebana (arte chinesa) por um grupo de mulheres e a apresentação de número musical.


Da sucursal de Brasília
Márcia Xavier


20 de fevereiro de 2010

Autor de um artigo que causou grande repercussão nos meios acadêmicos e políticos, o cientista político e ex-porta-voz da Presidência André Singer diz que as eleições presidenciais de 2010 serão o grande teste de força do lulismo. Para Singer, o lulismo alia um projeto de redistribuição de renda à manutenção da ordem social, o que atraiu eleitores conservadores e de baixa renda historicamente avessos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Singer acompanhou Lula ao longo do primeiro mandato e estudou o comportamento eleitoral brasileiro nas cinco últimas eleições para presidente. Segundo ele, o lulismo reorganizou o eleitorado brasileiro e poderá virar uma força política hegemônica por décadas.


Época: Como o senhor define o lulismo?


André Singer: O lulismo é a execução de um projeto político de redistribuição de renda focado no setor mais pobre da população, mas sem ameaça de ruptura da ordem, sem confrontação política, sem radicalização, sem os componentes clássicos das propostas de mudanças mais à esquerda. Foi o que o governo Lula fez. A manutenção de uma conduta de política macroeconômica mais conservadora, com juros elevados, austeridade fiscal e câmbio flutuante, foi o preço a pagar pela manutenção da ordem. Diante desse projeto, a camada de baixa renda, cerca de metade do eleitorado, começou a se realinhar em direção ao presidente.


Época: Quando isso aconteceu?


Singer: Em 2006. Houve um realinhamento eleitoral, um deslocamento grande de eleitores que ocorre a cada tantas décadas. A matriz desse tipo de estudo é americana. Lá, eles acham que aconteceu um realinhamento eleitoral em 1932, quando (Franklin) Roosevelt ganhou a eleição presidencial. Ele puxou uma base social de trabalhadores para o Partido Democrata que não havia antes. Aqui, em 2006 a camada de baixíssima renda da população, que sempre tinha votado contra o Lula, votou a favor dele. A diferença entre 2002 e 2006 foi que Lula perdeu base na classe média, seu eleitorado tradicional, e ganhou base entre os eleitores de baixa renda.


Época: O lulismo pode sobreviver sem o Lula? Não é preciso uma liderança carismática à frente desse projeto político?


Singer: No lulismo existe um elemento de carisma, mas isso não é o mais importante. A importância do carisma é maior nas regiões menos urbanizadas do país, onde se tende a atribuir a capacidade de execução de um projeto a características especiais da liderança. Em regiões urbanizadas existe uma adesão mais racional ao programa político. Se minha análise estiver correta, o lulismo sobreviverá sem o Lula. Uma hipótese é que o lulismo vá desaguar no PT. Essa camada social que aderiu ao Lula pode lentamente começar a votar nos candidatos do PT a prefeito, governador, senador. Vejo indícios de que isso começou a ocorrer nas eleições municipais de 2008. O PT foi mal nas capitais, mas foi bem nas regiões metropolitanas de São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte. Isso pode sinalizar que o voto da camada de menor renda da sociedade está caminhando para o PT.


Época: Dilma Rousseff será a herdeira do lulismo? O que acontecerá em 2010?


Singer: Mantidas as condições atuais, a tendência é que, à medida que ficar claro para o eleitor que a Dilma é a candidata de continuidade do lulismo, ela aumentará suas intenções de voto com chances consideráveis de ganhar a eleição.


Época: Se o lulismo desaguar no PT, o partido terá de abrir mão de bandeiras históricas de esquerda?


Singer: O PT poderá ser uma fusão de duas forças, o petismo e o lulismo, que têm projetos com pontos de contato e diferenças. O PT continua sendo o partido do proletariado organizado, sindicalizado, com carteira de trabalho assinada. Pode vir a ser também o partido do subproletariado. Quando a gente vê a força do PT na periferia de São Paulo pode ser a expressão da confluência dessas duas forças.


Época: Se essa convergência ocorrer, haverá uma hegemonia do PT?


Singer: Pode ser. É possível que estejamos assistindo a um realinhamento como foi na época do Roosevelt, que trouxe segmentos da classe trabalhadora para o Partido Democrata por cerca de 30 anos.


Época: Essa camada que era anti-Lula, antiesquerda e a favor da ordem não teria dificuldades em se associar ao PT?


Singer: Com adaptações de parte a parte parece possível, mas será um processo lento. Não é tão simples porque o PT tem formação ideológica de esquerda e, embora tenha se transformado, mantém a identidade de um partido de esquerda. O PT é herdeiro de uma tradição de crítica ao populismo. Se o partido vier a ser caudatário desse movimento, vai haver o encontro de águas bem diferentes.


Época: O que aproxima o lulismo do populismo de Getúlio Vargas?


Singer: Em ambos há uma política de governo voltada para os setores de menor renda. Mas há uma diferença importante. Getúlio Vargas, ao fazer a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), criou direitos para o setor urbano da classe trabalhadora, em um país predominantemente rural. Deixou de fora um vasto setor da classe trabalhadora que foi incorporado agora.


Época: O lulismo pode prejudicar as instituições democráticas?


Singer: O presidente Lula tomou uma decisão fundamental ao não aceitar a proposta do terceiro mandato. Colocou um ponto final nessa questão. O Brasil sai desse processo com instituições democráticas fortalecidas. Há problemas na política partidária, cada vez mais pragmática e menos programática. Isso cria a sensação de que a política diz respeito aos políticos, e não à sociedade.


Época: Lula e o PT, em sua estratégia eleitoral, fizeram uma guinada ao centro. A política econômica ortodoxa não tem a ver com esse caminho que o partido já vinha tomando antes de chegar ao poder?


Singer: O PT foi se institucionalizando, mas a ida ao centro é relativa se você olhar o aspecto programático. O partido manteve um programa com mudanças relativamente pequenas. E é isso que faz com que o PT mantenha a identidade de esquerda. Onde houve mudança foi na política de alianças do PT. Antes ele recusava alianças até o ponto de, em 1989, não querer o apoio do PMDB no segundo turno, sem contrapartida. Hoje o PT dá prioridade à aliança com o PMDB. Isso é compreensível do ponto de vista eleitoral, por causa do tempo de televisão, do tamanho do PMDB. Mas é também um problema porque não se sabe qual é a base programática dessa aliança.


Época: Com Dilma na Presidência, crescem as chances de o PT aplicar um programa de governo mais à esquerda?


Singer: Depende da política de alianças. Se você tiver um vice-presidente como o Henrique Meirelles (presidente do Banco Central), as probabilidades caem muito. Mas o sentimento do PT é ter um governo mais à esquerda.


Época: A emergência dos pobres significará a marginalização da classe média?


Singer: A entrada em cena dessa força nova tirou a centralidade das decisões políticas da classe média. Se o lulismo se consolidar, teremos o setor de baixa renda em um campo político e a classe média tradicional em outro. A nova classe média é dúvida. A oposição em 2010 vai fazer tudo para não se isolar dos eleitores de baixa renda. Vai tentar a mágica de convencer os lulistas de que seu candidato é melhor para dar continuidade ao projeto do que a candidata da situação.


Quem é
André Singer é jornalista e professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo. Tem 51 anos, é casado e pai de duas filhas


O que fez
Foi porta-voz da Presidência da República entre 2003 e 2007 e secretário de Imprensa de 2005 a 2000


O que publicou
É autor de Esquerda e direita no eleitorado brasileiro (Edusp, 2000) e de O PT (Publifolha, 2009) e organizador de Sem medo de ser feliz: cenas de campanha (Scritta, 1990).


Fonte: Revista Época


17 de fevereiro de 2010

Nos últimos dias, visível euforia tomou conta da militância que torce pela continuidade do ciclo político aberto no país pelo governo Lula. E não é para menos. As duas mais recentes pesquisas eleitorais, Sensus e Vox Populi (que o Jornal Nacional da TV Globo simplesmente não exibiu), confirmam o crescimento da candidatura da ministra Dilma Rousseff. Carlos Montenegro, chefe do Ibope, havia dito que ela não passaria dos 15% e, agora, Dilma quase empata com José Serra. Além de afundar o Botafogo, time que presidiu, o tucaninho se mostrou um péssimo palpiteiro.

O inferno astral demo-tucano

Além das pesquisas, outros fatores justificam o otimismo. Até os gurus da oposição neoliberal já prevêem forte impulso da economia neste ano, o que significa mais empregos, mais renda, mais investimentos públicos – em síntese, maior popularidade de Lula e melhores condições para sua transferência de voto. Outra boa notícia ocorreu na convenção do PMDB, neste final de semana, na qual os setores mais à direita foram derrotados no seu intento de atrelar este partido de centro – com mais governadores, prefeitos e parlamentares e maior tempo de TV –, aos demos-tucanos.

No outro extremo, a oposição neoliberal-conservadora vive o seu pior momento. Sem discurso e sem propostas, ela já dá sinais de desespero. Fala-se até na desistência do grão-tucano paulista. O “mensalão do DEM”, que ameaça levar à cadeia o governador Arruda – contado para ser vice na “aliança dos carecas”, como brincou o próprio Serra –, enterrou de vez o cínico discurso da ética. O mesmo inferno astral atinge o PSDB. Yeda Crusius afunda no lamaçal de corrupção gaúcha e José Serra está atolado nas enchentes paulistas, o que prova o fiasco do seu “choque de gestão”.

A interferência do imperialismo ianque

Este quadro positivo, porém, não deve embriagar as forças que apóiam o governo Lula. Qualquer salto alto neste momento pode ser trágico para a montagem da candidatura de Dilma Rousseff. A batalha sucessória de 2010 promete ser das mais duras. Poderosas forças entrarão em campo para abortar a continuidade do atual ciclo político progressista no país e na América Latina. Os EUA, que alguns subestimam na sua agressividade imperialista, têm muitos interesses na região. Após presenciar a guinada à esquerda no continente, o “império do mal” tenta reverter esse processo.

Um breve balanço mostra que o imperialismo tem obtido vitórias e recupera terreno na região – seja através de golpes, ocupações militares e até mesmo pela via eleitoral. Em maio passado, o empresário direitista Ricardo Martinelli venceu as eleições no Panamá; em junho, o “democrata” Barack Obama foi cúmplice do golpe em Honduras, o que fez ressurgir o fantasma das ditaduras; no mesmo período, os EUA anunciaram a instalação de seis bases militares na Colômbia; já no Haiti, o mortífero terremoto serviu de pretexto para o envio de milhares de soldados ianques.

A experiência mais emblemática, no entanto, se deu na eleição do Chile. Apesar da popularidade da presidente Michele Bachelet, ela não conseguiu transferir votos ao candidato Eduardo Frei. A direita saiu unificada e as forças de centro à esquerda apresentaram três candidaturas. Resultado: o barão midiático Sebastián Piñera, totalmente servil à política externa dos EUA, venceu o pleito para o delírio da direita latino-americana. É certo que Lula não é Bachelet e que a Concertación não se compara às forças lulistas. Mas, de qualquer forma, é bom colocar as barbas de molho.

Um desastre para a América Latina

Estes processos recentes – somados ao acelerado desgaste do governo Cristina Kirchner e à nova ofensiva de desestabilização da direita venezuelana – confirmam o influxo na correlação de força no continente. Num ótimo artigo no jornal britânico Guardian, o sociólogo Mark Weisbrot alerta que os EUA estão muito interessados nas eleições de outubro no Brasil. Com base na Freedom of Information Act – a lei que permite obter, na Justiça, informações sigilosas do governo ianque –, ele revela que o imperialismo continua bastante ativo no país, interferindo na política brasileira, como no subsídio a um seminário sobre fidelidade partidária, em 2005.

Para ele, a sucessão presidencial no Brasil é decisiva para o futuro dos governos progressistas da América Latina e para o processo de integração regional. “Se o PT de Lula perder a eleição no outono, isso seria outra vitória para o Departamento de Estado dos EUA. Embora as autoridades do Departamento de Estado sob Bush e Obama tenham mantido postura amigável em relação ao Brasil, é obvio que eles se ressentem profundamente das mudanças na política externa brasileira que aliaram o país e outros governos social-democratas do hemisfério e se ressentem da posição independente do Brasil em relação ao Oriente Médio, ao Irã e a outros lugares”.

Direita brasileira afia as garras

Além da ação direta ou enrustida do imperialismo, a direita brasileira jogará sua cartada decisiva no pleito de outubro. Caso seja derrotado, o bloco neoliberal-conservadora terá dificuldades para se recompor e tende a se fragilizar ainda mais – como novo esvaziamento dos demos e tucanos. Não é para menos que a direita nativa já afia as suas garras. A postura raivosa adotada diante do Plano Nacional de Direitos Humanos lembra as famigeradas “marchas com Deus, pela família e pela liberdade”, que prepararam o clima para o golpe de 1964. A oposição ao PNDH-3 uniu os setores mais reacionários das Forças Armadas, dos ruralistas, da cúpula católica e da mídia.

Já a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do MST não objetiva apenas criminalizar os movimentos sociais e impedir a atualização dos índices de produtividade rural. Ela tem nítidos objetivos eleitoreiros; visa desgastar o governo Lula e enquadrar o debate sucessório. Em artigo na revista CartaCapital, o professor Wanderley Guilherme dos Santos avalia que a direita ficará cada vez mais agressiva. “A súbita consciência de que a excitação em torno do governador de São Paulo não corresponde à opinião pública pode empurrar os admiradores de Serra, sobretudo os ex-esquerdistas, ao extremismo institucional. Gosto para isso não lhes falta, há muito”.

Jogo sujo da oligarquia midiática

No esforço para barrar a continuidade do projeto mudancista personificado no presidente Lula, a direita alienígena e nativa terá a ajuda da mídia hegemônica, o “partido do capital” na atualidade. Aos poucos, as emissoras “privadas” de TV e os jornalões e revistas oligárquicos preparam suas “reporcagens”. Na semana passada, o jornal Zero Hora, pertencente ao grupo gaúcho RBS, que ergueu seu império durante a ditadura, publicou a série “Os infiltrados”. O objetivo foi defender a anistia aos agentes da repressão. De quebra, ela insinuou que a Dilma Rousseff foi “terrorista”.

Num texto publicado no sítio Novae, o jornalista Cristovão Feil evidencia que a campanha contra a provável candidata do presidente Lula será das mais sujas. “Temos informações seguríssimas que a matéria do Zero Hora é apenas a primeira de outras tantas que estão sendo preparadas pela imprensa direitista brasileira. A revista Veja já estaria preparando uma matéria sobre o famoso roubo do cofre do ex-governador Adhemar de Barros, de São Paulo, ocorrido em julho de 1969”, com o objetivo explícito de satanizar a ministra Dilma Rousseff, mas de forma mais requintada.

Uma briga de titãs em 2010

Para unificar e padronizar seu discurso, os barões da mídia inclusive realizarão em 1º de março, em São Paulo, o “Fórum democracia e liberdade de expressão”. Ele reunirá alguns dos principais expoentes da direita midiática, como o fascistóide Denis Rosenfield, o bravateiro Arnaldo Jabor, o pitbul Reinaldo Azevedo e o líder do Opus Dei, Carlos Alberto Di Franco. Entre outros temas, eles debaterão a “ameaça à democracia no Brasil”, bancados pelo Instituto Millenium, que reúne vários empresários que apoiaram a ditadura militar no país. O convidado especial será o golpista e corrupto Marcel Granier, presidente da RCTV da Venezuela, que teve sua concessão cassada.

Como se observa, a disputa sucessória de 2010 será violenta. Uma briga de titãs. Qualquer salto alto poderá ser fatal. O momento agora é de costurar fortes alianças para uma campanha eleitoral que terá caráter plebiscitário. A experiência chilena ensina que a divisão das forças progressistas pode ser trágica. Nesse sentido, a legítima candidatura do ex-ministro Ciro Gomes é um fator de risco, um complicador que precisa ser superado. Além das necessárias alianças, inclusive com a construção de amplos palanques estaduais, urge formular o programa pós-Lula, que aponte para a necessidade de “avançar nas mudanças”, enfrentando os gargalos e limites da atual experiência.

Fonte: Blog do Miro

12 de fevereiro de 2010

Deu o que falar artigo escrito, no último final de semana, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao O Globo (“sem medo do passado”). O chamado “príncipe dos sociólogos” saiu do tamanco para não fugir da comparação com o nosso governo. O resultado, para bom entendedor, é cômico para não dizer trágico. Uma tragédia quase do tamanho de seu governo.

Ele percebeu que o nosso mote será a comparação com o período em que “reinou”, juntamente com o FMI, em nosso país. Segundo ele: “na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi ´neoliberal’ – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social”. Na seqüência do texto, não poupou esforços de propagandear “feitos” como a “estabilidade da moeda”, a “privatização da Vale do Rio Doce” e do “sistema Telebrás” e do tal “Avança Brasil”. Numa demonstração clara do que o povão chama de “falta de assunto”, é bom perceber que FHC passou quase metade do texto a achincalhar o presidente Lula.

Vejamos, o governo dele foi tão bom que a dívida pública que era de menos de R$ 50 bilhões em 1995, chegou a quase R$ 900 bilhões em 2002. Claro que essa sangria só poderia refletir na participação dos salários na composição do PIB: caiu mais de 50% entre 1994 e 2002. Nas mãos dele o Brasil “quebrou” em 1998 (sim, oficialmente quebrou em janeiro de 1999, mas um “golpe branco” impediu dele admitir isso em meio as eleições de 1998) e o caos social (em nome da “estabilidade monetária”) foi suficiente para colocar na rua da amargura (desemprego) cerca de 12 milhões de pais de família, enquanto que o atual governo já gerou desde 2003 mais de 10 milhões de empregos. Não é a toa que FHC e seu governo, por muitos, é conhecido como o “serial killer da juventude”. O ministro das relações exteriores dele se deixou revistar em aeroporto norte-americano, inclusive tirando os sapatos, numa subserviência inversamente proporcional ao grande papel que o Brasil joga no mundo hoje. A potência mineral chamada “Vale do Rio Doce” foi privatizada por U$ 3 bilhões, numa jogatina que manchou a história recente de nosso país.

 Seu governo foi marcado pela semi-estagnação econômica com uma média de crescimento – entre 1995 e 2002 de 2,57% (enquanto que a média do governo Lula poderá chegar a 4% ainda este ano), sendo que bancos voltados exclusivamente ao desenvolvimento como o BNDES transformaram-se em agências mediadoras da privatização. Além de lembrarmos da fábrica de desemprego e arrocho da era-FHC, nunca é demais lembrar da vergonha de um presidente que foi – em rede nacional – pedir pela economia de energia. Era a época do “apagão”. Não somente do apagão energético, mas também do “apagão das infraestruturas”: das estradas esburacadas, de projetos elétricos descartados e do aumento brutal dos custos de produção no Brasil. Esse desdém com as infraestruturas acrescida por uma opção monetarista eram expressões de uma época em que falar em política industrial e projeto de desenvolvimento poderia se converter numa carruagem de fogo não para as belezas celestiais, mas rumo à defenestração e ao isolamento (político e intelectual) em amplos setores da sociedade, como na universidade e no próprio aparelho estatal entranhado de quintas-colunas travestidos de “técnicos” com mestrado e doutorado na Universidade de Chicago.

 Mas, para resumir, já que ele quer comparar os dois governos, vejamos a tabela abaixo acerca da comparação entre os indicadores sociais e econômicos publicados pelo conceituado – e neoliberal –  veículo de informação econômica global, “The Economist” sobre a situação do Brasil, no final de 2002 e no final de 2009. A única ressalva aos dados da tabela é que à época em que foi elaborada, as taxas de juros estavam na casa dos 11% e hoje estão mais baixas ainda, exatamente em 8,75%.

 Vejam, repetindo, não somos nós quem sistematizamos a tabela abaixo, e sim a “The Economist”. Acho que contra fatos e números, não existem argumentos, como segue:

Veja mais no Blog do Renato

09 de fevereiro de 2010

Reunidos neste final de semana em São Paulo, os integrantes do Comitê Central do PCdoB aprovaram um documento no qual traçam as diretrizes do projeto eleitoral do Partido para 2010. O texto salienta que o processo "exige ampla unidade de forças políticas e sociais em torno de uma candidatura e na elaboração programática que a sustente". Esta candidatura única, segundo o documento, deve dar "continuidade ao projeto político iniciado em 2002 com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva".
Veja abaixo a íntegra da resolução do Comitê Central do PCdoB

Examinando o quadro político brasileiro neste período que antecede as eleições gerais de 2010 o PCdoB decide:

1) Lutar para garantir a vitória do empreendimento político das forças progressistas da Nação dando continuidade ao projeto político iniciado em 2002 com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente do Brasil. Esta luta, que se dá em situação favorável, visa impedir o retrocesso neoliberal, aprofundando as mudanças na construção de um novo projeto nacional de desenvolvimento, para que o Brasil continue trilhando o caminho da soberania nacional, da democracia, da valorização do trabalho e da integração regional. Este processo exige ampla unidade de forças políticas e sociais em torno de uma candidatura e na elaboração programática que a sustente;

2) Lutar para ampliar significativamente a bancada comunista na Câmara dos Deputados a fim de que o Partido possa ter maior presença e projeção no quadro político brasileiro;

3) Lutar para que sejam eleitos senadores comunistas e assim se configure o fato inédito da existência uma bancada comunista no Senado da República;

4) Apoiar o Partido no Maranhão na luta para viabilizar a candidatura de Flávio Dino ao governo daquele Estado, considerando as circunstâncias eleitorais no âmbito nacional;

5) Lutar para que se amplie de forma expressiva a presença dos comunistas nas Assembléias Legislativas e na Câmara Legislativa do DF com a eleição de deputados estaduais e distritais comunistas;

6) Impulsionar ampla mobilização popular e social visando assegurar um maior protagonismo do povo no atual contexto político. Neste sentido, é de fundamental importância a mobilização dos comunistas em torno da preparação e da realização da CONCLAT e da Assembléia Nacional dos Movimentos Sociais;

7) Reforçar a tarefa partidária para o êxito da participação das mulheres nas candidaturas nas Assembléias Estaduais e na Câmara Federal visando assegurar a cota mínima de 30%.

Finalmente, o Comitê Central conclama os militantes e filiados, o conjunto das organizações partidárias a se empenhar com entusiasmo para dotar o Partido das condições e apoios necessários ao êxito de seu projeto eleitoral e contribuir com a nova vitória do povo na sucessão presidencial.


São Paulo 7 de fevereiro de 2010

08 de fevereiro de 2010